9 de agosto de 2016

"O pior dos fins": as bombas de Hiroshima e Nagasaki

O texto abaixo foi escrito pelo Prof. Sidnei Munhoz, e foi publicado originalmente na Revista de História da Biblioteca Nacional. O original pode ser lido aqui.

Por Sidnei Munhoz

Era o dia 6 de agosto de 1945. O avião B-29, Enola Gay, comandado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima a 9.448 metros de altitude e, quando os ponteiros do relógio indicaram 8h16, bombardeou-a com um artefato nuclear de urânio, com 3 m de comprimento e 71,1 centímetros de diâmetro e 4,4 toneladas de peso. A bomba, apelidada de Little Boy, foi detonada a 576 metros do solo. Um colossal cogumelo de fumaça envolveu a região. Corpos carbonizados jaziam por toda parte. Atônitos, sobreviventes vagavam pelos escombros à procura de comida, água e abrigo. Seus corpos estavam dilacerados, queimados, mutilados. Cerca de 40 minutos após a explosão, caiu uma chuva radioativa. Muitos se banharam e beberam dessa água. Seus destinos foram selados. 

2 de agosto de 2016

O assassinato de Francisco Ferndinando: interpretações em aberto

O texto abaixo foi escrito por Amila Kasumovic, professora da Universidade de Sarajevo, e publicado no Brasil originalmente no site da Revista de História da Biblioteca Nacional em 2014, no aniversário de 100 anos do atentado a Francisco Ferdinando. O texto original pode ser lido aqui.

Por Amila Kasumovic

Dois tiros, e a Europa colocou-se em marcha irreversível rumo a um conflito generalizado, que se tornou a Primeira Guerra Mundial. Dois tiros disparados na cidade de Sarajevo, atual capital da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, em 28 de junho de 1914, deixou marcada uma região que já havia sido palco de milenares disputas territoriais, que depois seria socialista durante boa parte do século XX, e novamente assolada por uma guerra nos anos 1990.

Os fantasmas do passado continuam a assombrar Sarajevo. Tanto tempo depois, e mesmo com a abundância de textos produzidos sobre o tema, muitas questões permanecem em aberto. Como entender o movimento Jovem Bósnia, responsabilizado pelo crime? Qual o papel da Sérvia no atentado? Qual é a percepção atual sobre o jovem assassino Gavrilo Princip?

26 de julho de 2016

Extremismos, terrorismo e um problema para os historiadores

O presente texto foi escrito no calor da hora, diante das duas notícias citadas nos dois primeiros parágrafos deste. Talvez, pensando mais friamente sobre os pontos que levante, mude de ideia com o tempo. 

Por Icles Rodrigues

Postamos recentemente na página do Facebook do Leitura ObrigaHISTÓRIA um link de um evento terrível ocorrido em uma igreja francesa, onde um padre foi assassinado por dois terroristas que invadiram sua missa, atentado esse que foi assumido pelo Estado Islâmico. A comoção é justíssima, e a indignação das pessoas faz todo sentido. É curioso, inclusive, que a mesma imprensa que corriqueiramente é acusada de manipulação ideológica anti-islâmica é também acusada, em um momento como este, de ser relativista, "esquerdista", pró-muçulmana, entre outros adjetivos. 

A violência doméstica prospera na cultura do silêncio da China

O texto abaixo foi traduzido de um artigo do Washington Post. O original pode ser lido aqui.

Por Emily Rauhala

Dois meses depois de Li Hongxia ser assassinada, seu corpo não está enterrado. Ela encontra-se envolta em um edredom rosa em um caixão refrigerado, na casa que ela dividia com o marido. Ele é acusado de mata-la. Sua família, que vivia com eles, fugiu da cidade.

Os pais de Li não acreditam que haverá justiça para as vítimas de violência doméstica. Eles têm visto o sistema falhar para aqueles sem conexões: eles sabem que uma condenação pode requerer influência. Recusar-se a enterrar sua filha, que foi estrangulada, é uma tentativa de fazer as autoridades locais notarem, fazer alguém – qualquer um – se importar.

Na China, como em outros lugares, a violência doméstica é uma epidemia oculta – uma crise de saúde pública rechaçada como escândalo privado, um crime diminuído ou encoberto.

22 de julho de 2016

Felipe Demier e Rejane Hoeveler (org): A onda conservadora

Desde, pelo menos, o ano de 2014 cresce entre os setores de esquerda no Brasil a ideia de que o país passa por um momento onde uma "onda conservadora" toma conta da economia, da cultura, da política e de outros aspectos cotidianos. No entanto, não basta apenas discutir a respeito disso baseado em suposições. É preciso ir mais a fundo no assunto, e é isso que a obra "A onda conservadora" organizada por Felipe Demier e Rejane Hoeveler tenta fazer.

19 de julho de 2016

Vestidas para agradar: transformações na moda desde o Antigo Regime

O texto abaixo foi escrito por Eneida Queiroz para o site da Revista de História da Biblioteca Nacional. O original pode ser lido clicando aqui.

Por Eneida Queiroz
Mulher de espartilho vermelho, tela a óleo de
Adrien de Witte (s/d). O espartilho contribuiu
para a erotização do corpo feminino no começo
do século XIX. (Imagem: REPRODUÇÃO /
ORIGINAL DO MUSEU DE ARTE WALLON)

A luta pela “barriga negativa” e o aumento de cirurgias plásticas no Brasil e no mundo são novas versões de um antigo fenômeno: o sofrimento das mulheres para se manterem dentro dos padrões de beleza hegemônicos. Por mais que pareça anacrônico, o silicone de hoje e as anquinhas ou os espartilhos do século XIX unem-se em espantosa semelhança. O controle do corpo feminino é marca de sociedades patriarcais.

As estruturas rígidas e os enchimentos das roupas femininas na segunda metade dos oitocentos, momento de paroxismo da erotização do vestuário, têm origem em peças mais antigas. No Antigo Regime, o barroco e sua vertente mais rebuscada, o rococó, ainda ditavam moda nos trajes de baile da corte francesa, como os de Maria Antonieta (1755-1793). Vestidos com ancas laterais conhecidas como pannier – estruturas de barbatana de baleia ou galhos de vime – ampliavam as saias vários metros para cada lado. Antes deles, na nobreza espanhola do século XVII, as saias eram suportadas pelo farthingale, visível nas damas dos quadros de Velasquez (1599-1660). Como a Revolução Industrial ainda dava seus primeiros passos no século XVIII, a maior parte da população europeia e de suas colônias não usava essas roupas, pois não tinha acesso fácil e barato aos tecidos e às técnicas. Ademais, ainda havia proibição de uso de determinadas vestimentas: a estratificação da sociedade era visível também na moda.  

12 de julho de 2016

O terremoto de Lisboa de 1755

O texto abaixo foi publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional, cujo original pode ser lido aqui.

Por Mary Del Priore

Jacome Ratton costumava assistir à missa na igreja do Carmo, cujo teto ou dorso de animal correspondia à pesada abóbada de pedra. Mas em 1º de novembro de 1755, “na manhã desse dia fatal”, ele não foi. Aguardava um comprador para certa partida de papel avariado que ali se tinha posto a enxugar. Nas águas-furtadas de sua casa, viu da janela que “achava-se o céu risonho como quase sempre é nas felizes regiões da Europa do sul; nem o ar se agitava lentamente”. Não percebeu a agitação dos animais de tração, os cães em disparada pelas ruas, os ratos que deixavam suas tocas, os pássaros em louca revoada. “Três minutos, porém, antes das 10 horas ouviu-se um ruído como se corressem por elas numerosas carroças; ao mesmo tempo estremecia a terra com um movimento violento, ondulante. Estremece a terra e em menos de um minuto ela sorve o cais (da alfândega)... Na cidade levantavam enormes colunas de poeira ao pé das ruas que caíam das ruínas”. Era o início do terremoto que, em 40 minutos, devastaria a cidade de Lisboa.

7 de julho de 2016

Como fazer um TCC - Teoria e metodologia

Salve, espectadores! Hoje vamos falar de uma das partes mais difíceis para graduandos quando o assunto é fazer um TCC: entender teoria e metodologia. O vídeo tenta separar as duas coisas, e inclusive explicar uma coisa que incomoda a muitos na graduação: por que citar tanta gente?

Assista o vídeo abaixo, e não se esqueça de inscrever-se no canal!

5 de julho de 2016

Fotos soviéticas da Segunda Guerra Mundial agora coloridas

O material abaixo foi publicado originalmente no site russo Russia Beyond the Headlines. A matéria original pode ser lida clicando aqui.

Por Ksenia Isaeva

A artista russa Olga Shirnina (também conhecida como 'Klimbim') coloriu fotos de arquivo de militares soviéticos. Abaixo constam as fotos, publicadas originalmente no Russia Beyond the Headlines.

30 de junho de 2016

Como fazer um TCC - Fontes e bibliografia

Salve, espectadores! No vídeo de hoje da série "Como fazer um TCC", falaremos sobre fontes e bibliografia, as principais diferenças entre elas, e algumas dicas para quem está em fase de coleta de material.

Assista abaixo, e não se esqueça de inscrever-se no nosso canal!

28 de junho de 2016

A mentira e o perigo da educação "neutra", sem política e sem partido

O texto abaixo foi publicado no UOL Educação e escrito por Guilherme Perez Cabral, advogado e professor, doutor em filosofia e Teoria Geral do Direito. O original pode ser lido aqui.

Por Guilherme Perez Cabral

Espalham por aí, trazidas por uma onda sabidamente perigosa, ideias absurdamente deseducativas que defendem a "neutralidade" política do professor e "denunciam" a tomada de partido nas escolas. Assusta a aceitação, sem parar para pensar, pelos desavisados, de falas tão superficiais e contraditórias. É preciso levá-las a sério, esclarecendo suas mentiras deslavadas. Elas não sobrevivem à crítica.

24 de junho de 2016

Consequências imediatas do "Brexit" e o nacionalismo


Por Icles Rodrigues

O texto de hoje no blog não pretende ser extenso ou revelador. Escrito no calor da hora por um simples historiador ainda assimilando as informações que recebe, não trará grandes contribuições ao que já se discute mundo afora. No entanto, creio que os leitores do Leitura ObrigaHISTÓRIA gostariam de ler algumas palavras a respeito do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia iniciado em 23 de junho de 2016.

O resultado do referendo, se tomarmos a votação em todo o Reino Unido, foi apertado: 51.9% dos eleitores (mais precisamente 17.410.742 votos) votaram a favor da saída, enquanto 48,1% dos eleitores (mais precisamente 16.141.241 votos) votaram a favor da permanência.  O gráfico a seguir mostra as porcentagens por região.