O texto abaixo foi escrito por Eneida Queiroz para o site da Revista de História da Biblioteca Nacional. O original pode ser lido clicando aqui.
Por Eneida Queiroz
A luta pela “barriga negativa” e o aumento de cirurgias plásticas no Brasil e no mundo são novas versões de um antigo fenômeno: o sofrimento das mulheres para se manterem dentro dos padrões de beleza hegemônicos. Por mais que pareça anacrônico, o silicone de hoje e as anquinhas ou os espartilhos do século XIX unem-se em espantosa semelhança. O controle do corpo feminino é marca de sociedades patriarcais.
As estruturas rígidas e os enchimentos das roupas femininas na segunda metade dos oitocentos, momento de paroxismo da erotização do vestuário, têm origem em peças mais antigas. No Antigo Regime, o barroco e sua vertente mais rebuscada, o rococó, ainda ditavam moda nos trajes de baile da corte francesa, como os de Maria Antonieta (1755-1793). Vestidos com ancas laterais conhecidas como pannier – estruturas de barbatana de baleia ou galhos de vime – ampliavam as saias vários metros para cada lado. Antes deles, na nobreza espanhola do século XVII, as saias eram suportadas pelo farthingale, visível nas damas dos quadros de Velasquez (1599-1660). Como a Revolução Industrial ainda dava seus primeiros passos no século XVIII, a maior parte da população europeia e de suas colônias não usava essas roupas, pois não tinha acesso fácil e barato aos tecidos e às técnicas. Ademais, ainda havia proibição de uso de determinadas vestimentas: a estratificação da sociedade era visível também na moda.













