14 de junho de 2016

A privatização do mundo, por Robert Kurz

O artigo abaixo, originalmente publicado em 2002, foi escrito pelo Filósofo alemão Robert Kurz. A tradução do original, de Luís Repa, foi publicada na Folha de São Paulo de 14/Jul/02.

Por Robert Kurz

É de supor que a natureza já existisse antes da economia moderna. Daí o fato de a natureza por si própria ser grátis, sem preço. Isso distingue os objetos naturais sem elaboração humana dos resultados da produção social, que já não representam a natureza "em si", mas a natureza transformada pela atividade humana. Esses "produtos", diferentemente dos objetos naturais puros, nunca foram de livre acesso; desde sempre estavam sujeitos, segundo determinados critérios, a um modo de distribuição socialmente organizado. Na modernidade, é a forma da produção de mercadorias que regula essa distribuição no modo do mercado, segundo os critérios de dinheiro, preço e procura (solvente). Mas é um problema antigo que a organização da sociedade tenda a obstruir também o livre acesso a um número crescente de recursos pré-humanos da natureza. Essa ocupação traz, das mais diversas formas, o mesmo nome que os produtos da atividade social, a chamada "propriedade". Ou seja, acontece um quiproquó: outrora livres, os objetos naturais não elaborados pelo ser humano são tratados exatamente como se fossem os resultados da forma de organização social, e daí submetidos às mesmas restrições. 

7 de junho de 2016

“Como o Cristianismo e o Islamismo tomaram o mundo em 90 segundos”? Não necessariamente.


O artigo abaixo é uma tradução livre de um artigo publicado em 15/04/2016 no site do Washington Post. O artigo original pode ser lido aqui.

Por Ishaan Tharoor

O vídeo abaixo apresenta o crescimento e a propagação das duas maiores religiões do mundo por um período de dois mil anos. Representados em branco e verde, respectivamente, o Cristianismo e o Islamismo brotaram da obscuridade no Oriente Médio para se transformarem em gigantes de alcance global. 

3 de junho de 2016

Sobre as comparações entre fascismos e comunismo

O texto abaixo é um trecho do livro "O século XX", de René Rémond. Veja um vídeo em nosso canal dissertando sobre o livro clicando aqui.

Por René Rémond

"Já fiz alusão à tendência manifestada por vários sociólogos norte-americanos de apresentar comunismo e fascismo como dois ramos do mesmo fenômeno, ao qual lhes apraz colar o rótulo de totalitarismo. E é verdade que não faltam analogias. Nos métodos de governo, entre o terror que Stalin desencadeia sobre a União Soviética e os processos policiais utilizados por Hitler, as semelhanças saltam aos olhos. O mesmo se observa nas estruturas, com a subordinação de todas as instituições legais regulares ao partido, um dos traços mais característicos desses regimes do século XX. Com os regimes fascistas de um lado e o comunismo de outro, já não existe independência nem imparcialidade do Estado. Este é conquistado pelo partido. Há, pois, analogias, mas elas permanecem exteriores; só dizem respeito aos comportamentos, aos processos, à morfologia dos regimes, mas não à sua natureza profunda.

2 de junho de 2016

A revolução coreana, de Paulo Visentini, Analúcia Pereira e Helena Melchionna

Salve, espectadores! Lá no começo do canal, eu fiz um vídeo sobre esse livro; no entanto, a qualidade de imagem e áudio estava muito ruim, então achei que valia à pena fazer um remake dele, já que é um livro sobre um assunto polêmico e muito importante para as relações internacionais. Pude, com essa regravação, trazer mais informações tanto sobre o livro quanto sobre a Coreia do Norte.

Clique em Mais informações para assistir ao vídeo e ver os links que complementam seu raciocínio.

1 de junho de 2016

Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil


O texto abaixo foi escrito por Michael Löwy, Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)/Paris e traduzido por Deni Alfaro Rubbo e Marcelo Netto Rodrigues. Originalmente, o texto foi publicado na edição n° 124 da revista Serviço Social & Sociedade, e pode ser lido aqui.


Por Michael Löwy

A extrema-direita na Europa

As eleições europeias na França confirmaram uma tendência que, há alguns anos, já estava aparente: o crescimento do apoio à Frente Nacional. Essa evolução não é especificamente francesa: por quase todo o continente europeu vemos o espetacular levante da extrema-direita. O fenômeno não encontra precedentes desde os anos 1930. Em muitos países, a direita xenófoba já havia obtido entre 10% e 20% dos votos durante a última década; em 2014, em três países (Reino Unido, Dinamarca, França) alcançaram de 25% a 30%. Além disso, sua influência é maior do que o seu próprio eleitorado: suas ideias contaminam também a direita "clássica" e até parte da esquerda social neoliberal. O caso francês é o mais sério deles, com o avanço da Frente Nacional excedendo até mesmo as previsões mais pessimistas. Como escreveu em um editorial recente o site Mediapart, "são cinco minutos para meia-noite".

28 de maio de 2016

Como fazer um TCC: Escolhendo um tema

Salve, espectadores! Nesse primeiro vídeo da série "Como fazer um TCC", falamos sobre aquela que, normalmente, é a primeira coisa a se fazer: escolher o tema. Mas como fazer isso de forma responsável? É isso que o vídeo tenta passar pra vocês!

Compartilhem o vídeo com seus amigos e amigas que estão em processo de fazer o TCC. Se você é professor, pode passar a seus alunos para que estes comecem a se preparar desde já.

Sexta-feira que vem, às 20:00, tem mais!

Como fazer um TCC: Introdução

Salve, espectadores do canal! Começamos hoje nossa nova série aqui no Leitura ObrigaHISTÓRIA: Como fazer um TCC! Se você tem amigos e amigas que estão no processo de fazer um TCC ou prestes a começar, peça que eles deem uma olhada aqui no canal. Haverá uma playlist com todos os vídeos da série disponível a quem interessar possa.

Compartilhem o vídeo e ajudem o canal a crescer!

25 de maio de 2016

Como a indústria da fotografia determinou que o ‘normal’ é a pele branca




O texto abaixo é uma reprodução de uma matéria do Jornal Nexo escrita por Juliana Domingos de Lima, e que pode ser lida originalmente aqui.

Pessoas de diferentes tons de pele nem sempre conseguiram sair bem em fotos. E a razão disso é relacionada à própria fabricação de câmeras e materiais utilizados para revelar as fotos: a tecnologia fotográfica, feita por pessoas brancas e voltada para pessoas brancas, passou décadas sem se preocupar como os tons de pele mais escuros eram retratados.

A questão foi explorada pela socióloga canadense Lorna Roth, que investigou a história da fotografia para mostrar como a tecnologia prejudicou a representação de pessoas cujo tom de pele não fosse claro. Lorna detalhou a pesquisa na décima edição da Revista Zum, publicação especializada em fotografia do Instituto Moreira Salles, lançada no sábado (9).

20 de maio de 2016

Dica de livro: "O olhar renascente", de Michael Baxandall

Salve, espectadores! O vídeo de hoje é sobre um ótimo livro de História da Arte, focando no Renascimento italiano e demonstrando com muita clareza a quem o ler como a arte pode ser, também, uma fonte de história econômica e social.

18 de maio de 2016

A Escola Austríaca refutou Marx?



O texto abaixo foi escrito pelo economista Arthur Abdala e foi postado originalmente no blog Raiz da Questão sob o título "A Escola Austríaca não refutou Marx! Entenda". O texto original pode ser lido aqui.

Por Arthur Abdala

Muito se fala por aí que a escola austríaca refutou Marx. O argumento é simples, Marx, em O Capital (1863), postulou a sua teoria econômica baseada no valor-trabalho, a mesma de Smith (1776) e Ricardo (1817), só que com algumas diferenças, entre elas está o trabalho social médio e o valor social da mercadoria. Para esses autores, de maneiras diferente, Valor = Trabalho, sendo que, para o marxismo, Valor = Trabalho social médio

Já a escola austríaca baseava a sua teoria de valor na utilidade marginal (Menger, 1871). Para entender melhor a teoria dos neoclássicos, imagine que você esteja com muita sede. O primeiro copo d’água que você tomar terá um valor muito alto. O segundo, com a mesma quantidade de trabalho do primeiro, terá um valor inferior. E assim sucessivamente, até chegarmos ao último copo, após toda sua sede ser saciada, que terá valor zero. Estando satisfeito, mesmo que o último copo seja muito barato, quase de graça, você tende a não comprar, afinal ela não lhe serve mais.

Traduzindo para um universo mais amplo, independentemente da quantidade de trabalho que tenha uma mercadoria, se ela não tiver utilidade para ninguém, seu valor será igual à zero. Ressaltando que valor é diferente de preço, pois sua conversão depende de outras variáveis.

Observando por esse ponto de vista, a teoria usada pela escola austríaca faz muito mais sentido. Ocorre que a dinâmica do capitalismo é muito mais complexa que isso. A partir daí vem a primeira questão que é de ordem econômica e sociológica, de onde vem a utilidade? Para os neoclássicos a utilidade é subjetiva, enquanto para os clássicos (Marx, Smith, Ricardo, entre outros) a noção de útil é objetiva. O texto tratará esse tema adiante.

Antes de entrar no mérito da teoria do valor, é preciso percorrer e revisar alguns itens da teoria marxista, pois precedem qualquer entendimento sobre a teoria do valor. As explicações a seguir foram elaboradas para serem mais didáticas possíveis.

16 de maio de 2016

Série Rock & História: 2 Minutes to Midnight, do Iron Maiden


Salve, espectadores! O vídeo mais recente da série Rock & História é sobre esse clássico dessa que é uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos. Falamos sobre o contexto geopolítico de 1983 que acabou influenciando na composição da música em questão, bem como explicamos algumas das referências contidas em sua letra.

11 de maio de 2016

Ditaduras e extremismos: sua ascensão em perspectiva global

Salve, espectadores do canal! O vídeo de hoje é uma discussão sobre a nostalgia a regimes autoritários e a ascensão da extrema-direita no momento (nesse segundo ponto foquei no caso europeu por ser aquele sobre o qual eu tinha material disponível). No vídeo, tento entender como essa nostalgia não é algo específico do Brasil, mas algo que tem se espalhado por outros países.