25 de maio de 2016

Como a indústria da fotografia determinou que o ‘normal’ é a pele branca




O texto abaixo é uma reprodução de uma matéria do Jornal Nexo escrita por Juliana Domingos de Lima, e que pode ser lida originalmente aqui.

Pessoas de diferentes tons de pele nem sempre conseguiram sair bem em fotos. E a razão disso é relacionada à própria fabricação de câmeras e materiais utilizados para revelar as fotos: a tecnologia fotográfica, feita por pessoas brancas e voltada para pessoas brancas, passou décadas sem se preocupar como os tons de pele mais escuros eram retratados.

A questão foi explorada pela socióloga canadense Lorna Roth, que investigou a história da fotografia para mostrar como a tecnologia prejudicou a representação de pessoas cujo tom de pele não fosse claro. Lorna detalhou a pesquisa na décima edição da Revista Zum, publicação especializada em fotografia do Instituto Moreira Salles, lançada no sábado (9).

20 de maio de 2016

Dica de livro: "O olhar renascente", de Michael Baxandall

Salve, espectadores! O vídeo de hoje é sobre um ótimo livro de História da Arte, focando no Renascimento italiano e demonstrando com muita clareza a quem o ler como a arte pode ser, também, uma fonte de história econômica e social.

18 de maio de 2016

A Escola Austríaca refutou Marx?



O texto abaixo foi escrito pelo economista Arthur Abdala e foi postado originalmente no blog Raiz da Questão sob o título "A Escola Austríaca não refutou Marx! Entenda". O texto original pode ser lido aqui.

Por Arthur Abdala

Muito se fala por aí que a escola austríaca refutou Marx. O argumento é simples, Marx, em O Capital (1863), postulou a sua teoria econômica baseada no valor-trabalho, a mesma de Smith (1776) e Ricardo (1817), só que com algumas diferenças, entre elas está o trabalho social médio e o valor social da mercadoria. Para esses autores, de maneiras diferente, Valor = Trabalho, sendo que, para o marxismo, Valor = Trabalho social médio

Já a escola austríaca baseava a sua teoria de valor na utilidade marginal (Menger, 1871). Para entender melhor a teoria dos neoclássicos, imagine que você esteja com muita sede. O primeiro copo d’água que você tomar terá um valor muito alto. O segundo, com a mesma quantidade de trabalho do primeiro, terá um valor inferior. E assim sucessivamente, até chegarmos ao último copo, após toda sua sede ser saciada, que terá valor zero. Estando satisfeito, mesmo que o último copo seja muito barato, quase de graça, você tende a não comprar, afinal ela não lhe serve mais.

Traduzindo para um universo mais amplo, independentemente da quantidade de trabalho que tenha uma mercadoria, se ela não tiver utilidade para ninguém, seu valor será igual à zero. Ressaltando que valor é diferente de preço, pois sua conversão depende de outras variáveis.

Observando por esse ponto de vista, a teoria usada pela escola austríaca faz muito mais sentido. Ocorre que a dinâmica do capitalismo é muito mais complexa que isso. A partir daí vem a primeira questão que é de ordem econômica e sociológica, de onde vem a utilidade? Para os neoclássicos a utilidade é subjetiva, enquanto para os clássicos (Marx, Smith, Ricardo, entre outros) a noção de útil é objetiva. O texto tratará esse tema adiante.

Antes de entrar no mérito da teoria do valor, é preciso percorrer e revisar alguns itens da teoria marxista, pois precedem qualquer entendimento sobre a teoria do valor. As explicações a seguir foram elaboradas para serem mais didáticas possíveis.

16 de maio de 2016

Série Rock & História: 2 Minutes to Midnight, do Iron Maiden


Salve, espectadores! O vídeo mais recente da série Rock & História é sobre esse clássico dessa que é uma das maiores bandas de Heavy Metal de todos os tempos. Falamos sobre o contexto geopolítico de 1983 que acabou influenciando na composição da música em questão, bem como explicamos algumas das referências contidas em sua letra.

11 de maio de 2016

Ditaduras e extremismos: sua ascensão em perspectiva global

Salve, espectadores do canal! O vídeo de hoje é uma discussão sobre a nostalgia a regimes autoritários e a ascensão da extrema-direita no momento (nesse segundo ponto foquei no caso europeu por ser aquele sobre o qual eu tinha material disponível). No vídeo, tento entender como essa nostalgia não é algo específico do Brasil, mas algo que tem se espalhado por outros países.

10 de maio de 2016

Imperialismo, militarismo e propaganda nos Estados Unidos, parte 3

Por Icles Rodrigues

Por fim, postamos a terceira parte deste artigo sobre o Imperialismo, o militarismo e a propaganda nos Estados Unidos. Depois de a parte 1 focar no século XIX e começo do XX, e a segunda parte focar entre a Primeira Guerra Mundial e o fim da Guerra Fria, postamos a última parte, dedicada a apresentar este tema a partir da Guerra do Golfo até a invasão do Iraque.

6 de maio de 2016

Imperialismo, militarismo e propaganda nos Estados Unidos, parte 2

Por Icles Rodrigues

Chegamos à segunda parte do artigo "Imperialismo, militarismo & propaganda nos Estados Unidos". Esta parte se dedica a discutir como a mídia estadunidense foi fundamental para o crescimento do militarismo nos EUA e este, consequentemente, foi fundamental para a expansão imperial do país pelo globo. 

2 de maio de 2016

Imperialismo, militarismo e propaganda nos Estados Unidos, parte 1


Por Icles Rodrigues

“O mundo deve estar seguro para a democracia. Sua paz deve ser plantada sobre as fundações testadas da liberdade política. Nós não temos fins egoístas a servir. Não desejamos nenhuma conquista, nenhum domínio. Não buscamos indenizações para nós mesmos, nenhuma compensação material para os sacrifícios que nós devemos fazer livremente. Nós somos apenas um dos campeões dos direitos da humanidade.”
Woodrow Wilson, 2 de abril de 1917[1]

“Nenhum limite do cinismo perturba a equanimidade dos moralistas ocidentais.”
Noam Chomsky [2]

As relações entre o governo, as elites e a mídia estadunidense são estreitas, e estes, inegavelmente, se beneficiam uns dos outros. Desde o século XIX, a distorção de acontecimentos, a manipulação através da retórica, de jornais e meios distintos de se propagar notícias funcionou, muitas vezes, em consonância com interesses expansionistas dos Estados Unidos, tal qual ocorre por todo o mundo; mesmo sendo um país ainda jovem, não tardou a mandar um recado para os imperialistas europeus de que apenas a ele competia o papel de protetor e – nas entrelinhas, estava clara tal mensagem – dominador do continente americano.

A série de textos a seguir tem como objetivo – ainda que consciente das enormes lacunas oriundas de uma abordagem rápida a respeito de quase dois séculos de história – um panorama da consonância entre o militarismo e o imperialismo dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo a partir do século XIX; no decorrer da apresentação deste conteúdo, discorreremos sobre o papel da mídia e dos argumentos de legitimação, não apenas para justificar o intervencionismo no exterior, mas para dissertar sobre a manipulação de informações dentro dos Estados Unidos.

28 de abril de 2016

Sobre ativismo e biscoitos


O texto abaixo foi postado no blog #AgoraÉQueSãoElas, do site do jornal Folha de São Paulo, e é de autoria de Helena Vieira* e Sofia Favero**. O texto original pode ser lido aqui.

A internet tem sido usada pelo feminismo e pelos movimentos sociais como uma ferramenta política, causando uma reviravolta na comunicação de causas. Ela possibilitou que calados tivessem voz, que falássemos para pessoas que nem sequer imaginavam que nós existíamos. Agora contamos nossas histórias e promovemos debate.

Entretanto, essa interação nem sempre é democrática, pois os discursos rapidamente tornam-se rígidos, engessados, inibem outras subjetividades, deslegitimam outras narrativas do ser, de si.

26 de abril de 2016

Vídeo: Apologia da História, de Marc Bloch



Salve, espectadores! Preenchendo essa lacuna que é a ausência de livros de teoria e metodologia de História no canal, nada mais justo que começar por um grande clássico: Apologia da História, de Marc Bloch. 

Esse vídeo é indicado especialmente para quem cogita a hipótese de entrar em um curso de História. Provavelmente você terá que ler ele durante a graduação, então fica a dica.

25 de abril de 2016

Relações perigosas?: a intelectualidade de esquerda e o Estado brasileiro


O texto abaixo foi escrito por Rafael Rosa Hagemeyer, professor do Departamento de História da Universidade do Estado de Santa Catarina, e é uma reflexão conjuntural inspirada no texto de Luiz Felipe Pondé intitulado "A História do Brasil do PT", publicado na Folha de São Paulo. O texto abaixo foi publicado originalmente no Facebook do autor e é aqui reproduzido mediante autorização do mesmo.

Por Rafael Rosa Hagemeyer

O Pondé está triste porque descobriu ontem que a burguesia brasileira é ignorante. Ela não investe em cultura e, por isso, os intelectuais e artistas daqui têm que depender do financiamento público. Ele acredita que esta é a razão pela qual esse grupo social se torna majoritariamente "de esquerda" (algo que tenho minhas dúvidas), devido ao seu "amor ao Estado", que os financia e do qual dependem e tudo esperam.

O problema é que não foi o PT que inventou esse sistema. Aliás, o partido sequer o ampliou nesse tempo em que está no poder.

21 de abril de 2016

Clima de caça às bruxas contra ideias de esquerda é muito preocupante, alerta sociólogo


O texto abaixo é uma reprodução de parte de uma entrevista feita pelo site Sul21 com o sociólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-RS, que pode ser lida na íntegra clicando aqui. Suprimimos trechos onde a discussão foca mais no momento político atual no âmbito institucional pelo fato de que o Leitura ObrigaHISTÓRIA busca focar seu conteúdo em aspectos de caráter mais acadêmico. Contudo, não podemos deixar de compartilhar este conteúdo diante de nossa preocupação com essa odiosa caça às bruxas que vem ocorrendo Brasil afora

Por Marco Weissheimer

Nos últimos meses tem crescido o número de relatos de casos de “denúncias” dirigidas contra professores de universidades e também de escolas de ensino médio, acusados de praticarem uma espécie de “doutrinação marxista” dentro das salas de aula. Inicialmente restritas a figuras mais caricatas como Olavo de Carvalho, essas denúncias vêm ganhando, porém, maior visibilidade midiática e o suporte de grupos de direita e extrema-direita articulados nacional e internacionalmente. “Há uma caça às bruxas muito preocupante dirigida contra um tipo de pensamento (de esquerda), como se ele fosse inaceitável”, diz Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-RS. Em entrevista ao Sul21, o sociólogo fala sobre o crescimento da atuação desses grupos dentro do ambiente acadêmico e relata um caso que viveu recentemente, quando um aluno gravou clandestinamente uma conversa na sala da coordenação do PPG e divulgou-a nas redes sociais como suposta prova da existência de uma “doutrinação marxista” dentro do programa de pós-graduação.

“Por mais que a gravação não tivesse nada que pudesse ser usado contra mim, ela causa um constrangimento. Para as pessoas que não gostam de mim, que acham que eu sou um esquerdista defensor de criminosos, é mais um argumento. Não interessa se é verdadeiro ou não, ele vai ser jogado nas redes sociais”, diz o professor.