O texto abaixo foi escrito pelo economista Arthur Abdala e foi postado originalmente no blog Raiz da Questão sob o título "A Escola Austríaca não refutou Marx! Entenda". O texto original pode ser lido aqui.
Por Arthur Abdala
Muito se fala por aí que a escola austríaca refutou Marx. O argumento é simples, Marx, em O Capital (1863), postulou a sua teoria econômica baseada no valor-trabalho, a mesma de Smith (1776) e Ricardo (1817), só que com algumas diferenças, entre elas está o trabalho social médio e o valor social da mercadoria. Para esses autores, de maneiras diferente, Valor = Trabalho, sendo que, para o marxismo, Valor = Trabalho social médio
Já a escola austríaca baseava a sua teoria de valor na utilidade marginal (Menger, 1871). Para entender melhor a teoria dos neoclássicos, imagine que você esteja com muita sede. O primeiro copo d’água que você tomar terá um valor muito alto. O segundo, com a mesma quantidade de trabalho do primeiro, terá um valor inferior. E assim sucessivamente, até chegarmos ao último copo, após toda sua sede ser saciada, que terá valor zero. Estando satisfeito, mesmo que o último copo seja muito barato, quase de graça, você tende a não comprar, afinal ela não lhe serve mais.
Traduzindo para um universo mais amplo, independentemente da quantidade de trabalho que tenha uma mercadoria, se ela não tiver utilidade para ninguém, seu valor será igual à zero. Ressaltando que valor é diferente de preço, pois sua conversão depende de outras variáveis.
Observando por esse ponto de vista, a teoria usada pela escola austríaca faz muito mais sentido. Ocorre que a dinâmica do capitalismo é muito mais complexa que isso. A partir daí vem a primeira questão que é de ordem econômica e sociológica, de onde vem a utilidade? Para os neoclássicos a utilidade é subjetiva, enquanto para os clássicos (Marx, Smith, Ricardo, entre outros) a noção de útil é objetiva. O texto tratará esse tema adiante.
Antes de entrar no mérito da teoria do valor, é preciso percorrer e revisar alguns itens da teoria marxista, pois precedem qualquer entendimento sobre a teoria do valor. As explicações a seguir foram elaboradas para serem mais didáticas possíveis.