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3 de março de 2016
O "economicismo" e a manutenção de privilégios no Brasil
Salve, espectadores! O vídeo de hoje é baseado na introdução do livro "A ralé brasileira", do sociólogo Jessé Souza, e discute como a visão "economicista" predominante em nossa sociedade impede o diagnóstico adequado dos problemas de nossa população, especialmente das classes mais desfavorecidas.
Série de vídeos Rock & História
Salve, espectadores! Hoje trazemos os primeiros vídeos da série Rock & História, onde apresentamos algumas músicas de Rock e Heavy Metal junto de seus contextos históricos.
CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL - FORTUNATE SON
ABERTURA DA SÉRIE
MEGADETH - HOLY WARS... THE PUNISHMENT DUE
Os vídeos da série Rock e História serão postados entre uma e duas vezes por mês no nosso canal. Fique ligado no Leitura ObrigaHISTÓRIA para permanecer atualizado!
Nações e nacionalismos: discussão sobre os conceitos
Salve, espectadores do canal! O vídeo a seguir, dividido em duas partes, discute o conceito de nação e o conceito de nacionalismo, bem como traz argumentos de alguns dos principais teóricos que discutiram o tema nas últimas décadas.
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PARTE 1: ELEMENTOS E PARADIGMAS
PARTE 2: INVENÇÕES E IMAGINAÇÕES?
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6 de janeiro de 2016
O século XX, de René Rémond
Salve, espectadores! O vídeo de hoje é um livro sucinto (falo isso mais de 10.000 vezes durante o vídeo, não me odeiem) que pode ser uma boa pedida para quem está começando a estudar o século XX agora, ou quer ler algo para vestibular, ENEM, etc. No entanto, é um livro antigo (lançado originalmente em 1974), e ainda que seja fácil de achar hoje em dia (e barato), não fala de muitos assuntos importantes sobre o século XX por motivos óbvios.
Leia a resenha escrita aqui no blog clicando AQUI
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Postagem na nossa página do Facebook com o trecho do livro citado no vídeo clicando AQUI
O Faroeste, de Claude Fohlen
Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é um livro que, embora esgotado, ainda é bastante acessível em sites que agregam sebos. "O Faroeste", de Claude Fohlen, é leitura obrigatória para quem quer entender esse contexto que chamamos de "Velho Oeste" historicamente, fugindo de mitos perpetuados pelo cinema, literatura, games e outros.
Se tiver outras dicas de livros sobre o assunto, deixe aí nos comentários!
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Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawm
Salve, espectadores do canal. Apesar de alguns problemas técnicos (que me fizeram cortar o vídeo bruscamente no meio e terminar o vídeo de forma meio abrupta), trago neste vídeo uma dica de livro que pode ajudar com algumas reflexões a respeito da globalização, da democracia liberal no século XX e do terrorismo.
Diante dos atentados múltiplos a Paris no dia 13/11, resolvi adiantar o próximo vídeo do canal e substituir o livro que havia previamente escolhido para este vídeo, deixando-o para depois e colocando esta obra que contribuiu de forma modesta, mas precisa, para uma compreensão um pouco mais sólida a respeito da conjuntura internacional desse início de século XXI e sua relação com o terrorismo.
Eric Hobsbawm dispensa apresentações. Tendo sido um dos historiadores mais importantes do século XX, suas análises a respeito do século passado e suas consequências para o século XXI são sagazes, por vezes provocativas, e demonstram clara erudição, ainda que numa linguagem acessível, como costuma ser comum quando se tratam de livros de alguns dos principais marxistas ingleses.
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14 de novembro de 2015
Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial, de Francisco César Ferraz
Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é uma obra concisa e ideal para quem quer começar a estudar a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Francisco César Ferraz é professor da Universidade Estadual do Paraná e especialista no assunto.
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O Leitura ObrigaHISTÓRIA conta agora com o apoio da página História, Guerra e Modelismo. No vídeo explico melhor do que se trata. Se gostas de temas sobre História das Guerras, não perca de vista!
7 de novembro de 2015
Ajudem a Revista de História da Biblioteca Nacional #RHBNresiste
Sem vinheta, nem grandes edições, o vídeo de hoje é um pedido de ajuda para a Revista de História da Biblioteca Nacional, que está correndo o risco de ter que encerrar as atividades. Assista ao vídeo, é curtinho e explica em termos gerais a situação.
Página do Facebook da revista: https://www.facebook.com/Revista.de.Historia/?fref=ts
DADOS BANCÁRIOS PARA AJUDA:
Titular: Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional.
Caixa Econômica Federal / Agência 3307-7 / Conta 000.344-3 / CNPJ: 29.415.676-0001-28
Santander / Agência 3140-0 / Conta 13.000.496-7 / CNPJ: 29.415.676-0001-28
#RHBNresiste, compartilhem!
27 de outubro de 2015
Vídeo: Marcos Napolitano - História & Música
Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é uma dica pra quem está começando a estudar músicas como fontes históricas. Trata-se de um livro sucinto, que vai dar uma boa ajuda a iniciantes neste estudos.
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16 de outubro de 2015
Margot Wallström, feminismo nas relações internacionais e a Arábia Saudita
O texto à seguir é uma tradução livre de um texto publicado no site Spectator, cujo
original pode ser lido AQUI.
original pode ser lido AQUI.
"A Ministra das Relações Exteriores
feminista sueca ousou falar a verdade sobre a Arábia Saudita. O que acontece
agora é da conta de todos nós."
O posicionamento cheio
de princípios de Margot Wallström merece amplo apoio. Traição parece mais
provável.
Nick Cohen
28 de Março de 2015
![]() |
| Margot Wallström |
Se os gritos de ‘Je suis Charlie’ fossem sinceros, o mundo
ocidental estaria em convulsão, preocupado e indignado com a questão de
Wallström. Ela tem todos os ingredientes para um confronto estilo “Choque das
civilizações”.
Há poucas semanas atrás Margot Wallström, a Primeira-Ministra
de Relações Exteriores, denunciou a subjugação das mulheres na Arábia Saudita.
Como o reino teocrático proíbe mulheres de viajar, conduzir negócios oficiais
ou casar sem a permissão do tutor masculino, e como garotas podem ser forçadas
a casamentos ainda crianças onde elas são efetivamente estupradas por homens
mais velhos, ela não falou mais que a verdade. Wallström condenou as cortes
sauditas por ordenar que Raif Badawi receba dez anos de cadeia e mil chibatadas
por criar um site que luta por secularismo e liberdade de expressão. Estes eram
“métodos medievais”, disse a ministra, e uma “tentativa cruel de silenciar
formas modernas de expressão”. E, uma vez mais, quem pode negar isso?
A repercussão seguiu o padrão estabelecido por Rushdie, as
charges dinamarquesas e o Hebdo. A Arábia Saudita retirou seu embaixador e
parou de emitir vistos para empresários suecos. Os Emirados Árabes Unidos se juntaram
a ela. A Organização para a Cooperação Islâmica, que representa 56 estados
majoritariamente muçulmanos, acusaram a Suécia de faltar com o respeito para
com os “padrões éticos ricos e variados” do mundo – padrões tão ricos e
variados, aparentemente, que incluem o enforcamento de blogueiros e o
encorajamento de pedófilos. Enquanto isso, o Conselho de Cooperação do Golfo
condenou sua “interferência inaceitável em assuntos internos do Reino da Arábia
Saudita”, e eu não apostaria contra tumultos anti-Suécia muito em breve.
Ainda assim, não existe a “questão de Wallström”. Fora da
Suécia, a mídia ocidental mal cobriu a história, e os aliados da Suécia na
União Europeia não demonstraram estar inclinados em apoiá-la. Uma pequena nação
escandinava enfrenta sanções, acusações de islamofobia e talvez coisas piores a
vir pela frente, e todos ficam em silêncio.
E como tantas vezes acontece, o escândalo é que não há um escândalo.
É um sinal de como a política moderna ficou tão transtornada
que uma política que defende a liberdade de expressão e os direitos das
mulheres no mundo árabe seja tomada por uma liberal muscular*, ou neoconservadora, ou ainda uma apoiadora dos
novos partidos de direita populistas cujo comprometimento com a liberdade de
expressão é meramente uma fachada para seu ódio anti-muçulmano. Mas Margot Wallström é aquela raridade
moderna: uma política de esquerda que vai onde seus princípios a levam.
Ela é a Ministra de Relações Exteriores da fraca coalizão
entre Socialdemocratas e Verdes (Partido verde) da Suécia. Ela reconheceu a palestina em outubro do ano
passado – e, não, a Liga Árabe, a Organização Para a Cooperação Islâmica e o
Conselho de Cooperação do Golfo não a acusaram de “interferência inaceitável
nos assuntos internos de Israel”. Eu confesso que seu gesto me pareceu
contraproducente naquele momento. Mas depois de Bejnamin Netanyahu descartar um
Estado palestino enquanto ele usava qualquer jogo sujo que ele pudesse imaginar
para assegurar sua reeleição, ela pode clamar com justiça que a história a
justificou.
Ela foi então para a versão saudita da Sharia. Seu
criticismo não foi apenas retórico. Ela afirmou que era antiético para a Suécia
continuar com seu acordo de cooperação militar com a Arábia Saudita. Em outras
palavras, ela ameaçou a habilidade das companhias armamentistas suecas de fazer
dinheiro. A negação de vistos de negócio a suecos por parte da Arábia Saudita
ameaça prejudicar os lucros de outras companhias também. Você pode ver os
suecos como socialdemocratas justos, que nunca deixam a preocupação de
parecerem tediosos ficar no caminho de sua retidão. Mas isso nunca foi
completamente verdade, e certamente não é verde quando há dinheiro em jogo.
A Suécia é o 12° maior exportador de armas do mundo – uma
conquista e tanto para um país com apenas nove milhões de pessoas. Ela exporta
para a Arábia Saudita um total de $ 1.3 bilhões. Líderes de negócios e
funcionários públicos estão também cientes de que outros países
majoritariamente muçulmanos devem seguir a liderança da Arábia Saudita. Durante
a “Crise dos cartoons” – uma frase que eu ainda não consigo escrever sem bufar
de incredulidade – companhias dinamarquesas encararam ataques globais e a rede
francesa de supermercados Carrefour tirou produtos dinamarqueses de suas
prateleiras para agradar consumidores muçulmanos. Uma campanha coordenada por
nações muçulmanas contra a Suécia não é uma suposição fantástica. Há conversas
de que a Suécia pode perder sua chance de ganhar um assento no Conselho de
Segurança da ONU em 2017 por conta de Wallström.
Para expor a situação da forma mais leve que eu posso, o establishment sueco enlouqueceu. Trinta diretores-executivos
assinaram uma carta afirmando que quebrar o acordo de comércio de armas
“colocaria em risco a reputação da Suécia como um parceiro para comércio e
cooperação”.
Nada menos que Sua Majestade o Rei Carl XVI Gustaf em pessoa
recebeu Wallström no fim de semana para lhe avisar que queria um acordo. A
Arábia Saudita vem transformando com sucesso o criticismo de sua versão brutal
do Islamismo em um ataque a todos os muçulmanos, independente de eles serem
Wahabitas ou não, e Wallström e seus colegas estão claramente enervados pelas
acusações de islamofobia. Tudo indica que ela irá ceder à pressão,
particularmente quando o resto da Europa progressista não demonstra nenhum interesse
em apoiá-la.
Pecados de omissão são tão reveladores quanto pegados de
permissão. O “caso” Wallström nos ensina três coisas. É mais fácil instruir
países pequenos como a Suécia e Israel sobre o que eles podem ou não fazer do
que países como os Estados Unidos e a China, ou uma Arábia Saudita que pode
solicitar um apoio muçulmano global quando criticada. Em segundo lugar, uma
Europa que está ficando cada vez mais velha e mais pobre está começando a achar
que padrões de moralidade em política externa é um luxo pelo qual ela não pode
pagar. A Arábia Saudita tem estado totalmente confiante de que a Suécia precisa
do seu dinheiro mais do que ela precisa de produtos importados da Suécia.
Finalmente, e o mais revelador em minha opinião, o “caso”
nos mostra que os direitos das mulheres sempre vêm em último lugar. Para ter
certeza disso, basta ver as tempestades no Twitter sobre homens sexistas e a
mídia alimentando frenesis toda vez que uma figura pública usa “linguagem
inapropriada”. Mas quando uma política tenta uma campanha pelos direitos das
mulheres sofrendo sob uma cultura clerical misógina e brutal, ela não é
aplaudida; ao invés disso, encarara um silêncio vergonhoso e revelador.
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15 de outubro de 2015
Karel Berkhoff - Motherland in danger
Salve, leitores. No vídeo de hoje do canal Leitura ObrigaHISTÓRIA, pela primeira vez desde o início deste canal, vou recomendar um livro originalmente escrito em inglês e, até o momento, sem tradução no Brasil. Motherland in danger: soviet propaganda during World War II é uma excelente obra, menos para entender a Segunda Guerra Mundial e mais para entender a dinâmica da censura durante o regime stalinista no evento que mais o marcou.
Se você gostar do vídeo, INSCREVA-SE no canal e ajude-o a crescer. Continuarei tentando trazer conteúdo de qualidade quinzenalmente nos vídeos do nosso canal.
11 de outubro de 2015
As crianças e a Segunda Guerra Mundial
“Compreendemos os horrores da guerra, suas leis implacáveis escritas
com sangue. Mas as crianças, vidas em flor, o desabrochar do desabrochar, essas
santas almas inocentes, beleza da vida (...) elas, que não fizeram mal a
ninguém (...) sofrem pelos pecados dos pais (...) Fomos incapazes de
protegê-las da fera. O coração sangra, e o pensamento congela de horror diante
de pequenos corpos banhados de sangue, com dedos retorcidos e rostinhos
deformados (...) São testemunhas mudas de sofrimentos humanos indescritíveis.
Esses olhos pequenos, congelados e mortos (...) censuram a nós, os vivos.”
Cpt. Pavel Kovalenko
Diante da
chegada do Dia das Crianças, elaboramos um pequeno texto sobre as consequências
da Segunda Guerra Mundial para as crianças.
A extensão dos
reveses que as crianças sofreram na Segunda Guerra Mundial é difícil de
calcular. Alguma noção pode ser tirada de filmes, livros e séries ambientados
durante a guerra, como A lista de
Schindler, O menino do pijama
listrado e A menina que roubava
livros, além do famoso diário de Anne Frank, publicado em mais de sessenta
idiomas. No entanto, a complexidade do assunto vai muito mais além.
A dedução mais
lógica que podemos ter diante desse assunto é imaginar os milhões de jovens que
ficaram órfãos de pai, mãe ou ambos no conflito, que destruiu famílias ao redor
do mundo. Em 1945 havia aproximadamente treze milhões de crianças abandonadas
como consequência da guerra; um milhão de órfãos na Polônia, 50.000 na
Tchecoslováquia, 250.000 na França e 200.000 na Hungria. Na Grécia, uma em cada
oito crianças era órfã. Não era incomum ver crianças marchando ao lado de
regimentos por terem perdido tudo e o exército parecer a única esperança de
sobrevivência.
![]() |
| Crianças alemãs sendo evacuadas |
Há uma
estimativa de que cerca de 140.000 crianças polonesas tenham sido deportadas
para a URSS após a divisão da Polônia entre os soviéticos e alemães em outubro
de 1939. Destas, cerca de 40.000 morreram e 85.000 nunca mais voltaram para sua
terra natal.
Nas migrações
em massa e fugas durante a guerra, muitas crianças pereceram diante da má
nutrição ou clima. No duro inverno europeu, mães viam seus bebês morrendo de
fome diante da impossibilidade de amamenta-los, já que devido a intensidade do
frio, seus seios congelariam se descobertos. Muitas crianças foram dadas para
adoção por pais e mães desesperados diante da provável morte de seus filhos em
caso de mantê-los por perto.
Na Alemanha,
país com baixa taxa de natalidade e grande número de abortos, a SS, apoiada
pelo governo alemão, iniciou a Lebensborn,
um programa de apoio ao nascimento de crianças que fossem consideradas “arianas
puras”, mesmo de mães solteiras. Estas crianças eram posteriormente dadas para
adoção para oficiais das próprias SS ou famílias também consideradas puras, de
modo a ser criadas dentro dos valores da ideologia nazista.
Heinrich Himmler
dirigiu um programa junto a outros segmentos da burocracia nazista onde
crianças polonesas, tchecoslovacas e iugoslavas com fenótipo aceitável eram tiradas
de suas famílias e avaliadas, sendo posteriormente enviadas para adoção de
famílias alemãs se fossem consideradas puras ou aceitáveis, ou enviadas para
campos de concentração se fossem consideradas indesejáveis, destinadas a
trabalhar como escravas ou ser executadas. Este contexto causou uma situação de
difícil resolução após o fim do conflito.
| Crianças em Auschwitz |
Apesar de
cerca de 10.000 crianças (das quais aproximadamente 9.000 eram judias) terem
sido salvas em 1939 do destino que tantas outras não conseguiriam escapar nos
campos de extermínio, se estima que cerca de um milhão e duzentas mil de
crianças judias pereceram na Solução Final. Os números de crianças judias
vivendo na Europa em 1939 que sobreviveram ao conflito variam entre 6% e 11%.
Muitas
crianças foram usadas como cobaias em campos como Auschwitz por cientistas e
médicos ávidos por cobaias humanas. Sabe-se que o médico alemão Joseph Mengele,
conhecido como “Anjo da morte”, foi responsável por brutalidades com crianças
que iam da injeção de tinta azul nos olhos das mesmas na tentativa de mudar
suas cores à ligação cirúrgica de gêmeos, na tentativa de criar gêmeos siameses
artificialmente.
Outras
crianças viraram alvo da ideologia nazista. Adolescentes alemães negros foram
esterilizados, crianças deficientes sofreram eutanásia, crianças da etnia Romani
(ou ciganas) foram mortas com suas famílias e crianças, especialmente polonesas
e soviéticas, foram enviadas para trabalhar como escravas em campos de trabalho
para fazendas e indústrias.
| Estátua do Pequeno Insurgente, Varsóvia |
Em países onde
a catástrofe da guerra fora mais extrema, a participação das crianças foi mais ativa,
inclusive em combate.
Na União
Soviética, já em 1941, crianças patrulhavam as ruas no início da noite para
avisar a população de possíveis ameaças. Elas eram também colocadas para
trabalhar mantendo sacos de areia e baldes de água cheios durante ataques
incendiários às cidades, e em locais mais afastados ocupados pelos alemães,
eram comumente usadas por guerrilheiros para missões de reconhecimento.
Crianças com
uma média de idade de dez a quatorze anos foram empregadas diretamente em
combate em diferentes países, normalmente por guerrilheiros ou resistências
clandestinas. Em Varsóvia, durante o levante de 1944, homens, mulheres e
crianças lutaram pelo Armia Krajova
contra os nazistas até o levante ser suprimido. Hoje, em Varsóvia, é possível
encontrar um monumento ao “Pequeno insurgente”, homenageando as crianças que
lutaram no levante, e sendo inspirada no garoto de codinome Antek, que morreu
lutando no conflito aos treze anos de idade.
![]() |
| Hitler condecorando soldados da Juventude Hitlerista com a Cruz de Ferro. |
Em 1945, cerca
de cinco mil jovens (alguns de até doze anos) pertencentes à Juventude
Hitlerista lutaram contra os soviéticos durante a Batalha de Berlim, tendo
apenas 10% destes sobrevivido. Em Okinawa, crianças foram mandadas para o
combate contra os Aliados, muitas vezes armadas apenas com uma espada.
Além da morte
em combate, muitas viram seu fim em ataques aéreos. Os bombardeios aliados de
julho de 1943 em Hamburgo foram responsáveis pela morte de 5.586 crianças, e um
número impossível de se estimar pereceu nos bombardeios nucleares de Hiroshima
e Nagasaki. Das que sobreviveram aos dois ataques nucleares de agosto de 1945,
muitas morreram posteriormente pelos efeitos da radiação, e cerca de trinta e
três cujas mães estavam grávidas no momento nasceram com microcefalia.
![]() |
| Criança londrina após um bombardeio |
Muitas
crianças foram evacuadas de suas cidades em diferentes países, por vezes sendo enviadas a outras nações (como as cerca de 64.000 crianças finlandesas enviadas
para a Suécia). Em alguns casos, por conta da desorganização oriunda do
desespero, estas nunca mais conseguiram reencontrar suas famílias ou voltaram
para casa. Destes países, o que mais empreendeu a evacuação de cidadãos foi a
Grã-Bretanha. Cerca de quatro milhões de adultos e crianças foram evacuados
para cidades menores e zonas rurais, e outros dois milhões evacuaram por conta
própria.
Os números de
delinquência juvenil nas grandes cidades aumentaram consideravelmente. Alguns
grupos de jovens, no entanto, engajavam seus atos dentro de posturas de resistência,
como os Edelweißpiraten (ou Piratas
de Edelweiss), um grupo formado por crianças e adolescentes que escapavam de
fazer parte da Juventude Hitlerista por evasão escolar e ainda não tinha idade
de entrar para o exército. Estes agrediam membros da Juventude Hitlerista,
cantavam músicas antinazistas, faziam pichações contra Hitler e até mesmo
ajudavam desertores quando podiam.
A despeito do baby boom ocorrido em algumas regiões, a
catástrofe demográfica da guerra para alguns países levou anos para ser
revertida ou controlada. Em guerras e catástrofes subsequentes, imagens do
sofrimento de crianças causaram grande comoção mundial, e tiveram importante
papel de conscientização popular. Elas são o lembrete de que conflitos, sejam
eles extensão da política (como afirmava Clausewitz) ou não necessariamente
isso (como defende John Keegan), são responsáveis pela perda da inocência de um
incalculável número de crianças mundo afora.
Leituras:
BARTOV, O.; GROSSMANN, A.; NOLAN, M. Crimes de Guerra: culpa e negação no século XX. Rio de Janeiro:
Difel, 2005.
BEEVOR, Antony. Berlim
1945: a queda. 9ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2011.
DAVIES, Norman. O
levante de 44: a batalha por Varsóvia. Rio de Janeiro: Record, 2006.
FEHRENBACH, Heide. "War
orphans and postfascist families: kinship and belonging after 1945". In: BIESS,
Frank; MOELLER, Robert G. Histories of
the aftermath: the legacies of the Second World War in Europe. Nova York: Berghahn
Books, 2010.
HACKETT, David A. (org). O relatório Buchenwald. Rio de Janeiro: Record, 1998.
HASTINGS,
Max. Inferno: o mundo em guerra
1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.
I.C.B. Dear and M.R.D. Foot, (org) The Oxford Companion to World War II.
New York: Oxford University Press,
1995.
KERSHAW,
Ian. O fim do Terceiro Reich: a
destruição da Alemanha de Hitler, 1944-1945. São Paulo: Companhia das Letras,
2015.
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