3 de março de 2016

Nações e nacionalismos: discussão sobre os conceitos

Salve, espectadores do canal! O vídeo a seguir, dividido em duas partes, discute o conceito de nação e o conceito de nacionalismo, bem como traz argumentos de alguns dos principais teóricos que discutiram o tema nas últimas décadas.

PARTE 1: ELEMENTOS E PARADIGMAS


PARTE 2: INVENÇÕES E IMAGINAÇÕES?

Não deixe de se inscrever no canal e ajudar o Leitura ObrigaHISTÓRIA a crescer, caso goste de nosso conteúdo. Até breve!

6 de janeiro de 2016

O século XX, de René Rémond



Salve, espectadores! O vídeo de hoje é um livro sucinto (falo isso mais de 10.000 vezes durante o vídeo, não me odeiem) que pode ser uma boa pedida para quem está começando a estudar o século XX agora, ou quer ler algo para vestibular, ENEM, etc. No entanto, é um livro antigo (lançado originalmente em 1974), e ainda que seja fácil de achar hoje em dia (e barato), não fala de muitos assuntos importantes sobre o século XX por motivos óbvios.

Leia a resenha escrita aqui no blog clicando AQUI

Inscrevam-se do canal, ajudem-no a crescer.

Postagem na nossa página do Facebook com o trecho do livro citado no vídeo clicando AQUI

O Faroeste, de Claude Fohlen



Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é um livro que, embora esgotado, ainda é bastante acessível em sites que agregam sebos. "O Faroeste", de Claude Fohlen, é leitura obrigatória para quem quer entender esse contexto que chamamos de "Velho Oeste" historicamente, fugindo de mitos perpetuados pelo cinema, literatura, games e outros.

Se tiver outras dicas de livros sobre o assunto, deixe aí nos comentários!

Inscrevam-se no canal e nos ajudem a crescer. Sua inscrição será muito bem vinda.

Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawm



Salve, espectadores do canal. Apesar de alguns problemas técnicos (que me fizeram cortar o vídeo bruscamente no meio e terminar o vídeo de forma meio abrupta), trago neste vídeo uma dica de livro que pode ajudar com algumas reflexões a respeito da globalização, da democracia liberal no século XX e do terrorismo.

Diante dos atentados múltiplos a Paris no dia 13/11, resolvi adiantar o próximo vídeo do canal e substituir o livro que havia previamente escolhido para este vídeo, deixando-o para depois e colocando esta obra que contribuiu de forma modesta, mas precisa, para uma compreensão um pouco mais sólida a respeito da conjuntura internacional desse início de século XXI e sua relação com o terrorismo.

Eric Hobsbawm dispensa apresentações. Tendo sido um dos historiadores mais importantes do século XX, suas análises a respeito do século passado e suas consequências para o século XXI são sagazes, por vezes provocativas, e demonstram clara erudição, ainda que numa linguagem acessível, como costuma ser comum quando se tratam de livros de alguns dos principais marxistas ingleses.

Inscrevam-se no canal e ajudem-me a divulga-lo. Obrigado!

14 de novembro de 2015

Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial, de Francisco César Ferraz


Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é uma obra concisa e ideal para quem quer começar a estudar a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Francisco César Ferraz é professor da Universidade Estadual do Paraná e especialista no assunto.

Inscreva-se no canal CLICANDO AQUI e ajude a divulgar nossos vídeos

***********************
Blog: leituraobrigahistoria.blogspot.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/leituraobrigahistoria

Twitter: obrigahistoria

e-mail: leituraobrigahistoria@gmail.com

***********************
O Leitura ObrigaHISTÓRIA conta agora com o apoio da página História, Guerra e Modelismo. No vídeo explico melhor do que se trata. Se gostas de temas sobre História das Guerras, não perca de vista!

7 de novembro de 2015

Ajudem a Revista de História da Biblioteca Nacional #RHBNresiste



Sem vinheta, nem grandes edições, o vídeo de hoje é um pedido de ajuda para a Revista de História da Biblioteca Nacional, que está correndo o risco de ter que encerrar as atividades. Assista ao vídeo, é curtinho e explica em termos gerais a situação.

Página do Facebook da revista: https://www.facebook.com/Revista.de.Historia/?fref=ts

DADOS BANCÁRIOS PARA AJUDA:

Titular: Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional.

Caixa Econômica Federal / Agência 3307-7 / Conta 000.344-3 / CNPJ: 29.415.676-0001-28

Santander / Agência 3140-0 / Conta 13.000.496-7 / CNPJ: 29.415.676-0001-28

#RHBNresiste, compartilhem!

27 de outubro de 2015

Vídeo: Marcos Napolitano - História & Música


Salve, espectadores do canal! O livro de hoje é uma dica pra quem está começando a estudar músicas como fontes históricas. Trata-se de um livro sucinto, que vai dar uma boa ajuda a iniciantes neste estudos.

Inscreva-se no canal e ajude-o a crescer, clicando AQUI

16 de outubro de 2015

Margot Wallström, feminismo nas relações internacionais e a Arábia Saudita

O texto à seguir é uma tradução livre de um texto publicado no site Spectator, cujo 
original pode ser lido AQUI


"A Ministra das Relações Exteriores feminista sueca ousou falar a verdade sobre a Arábia Saudita. O que acontece agora é da conta de todos nós."

O posicionamento cheio de princípios de Margot Wallström merece amplo apoio. Traição parece mais provável.

Nick Cohen
28 de Março de 2015

Margot Wallström
Se os gritos de ‘Je suis Charlie’ fossem sinceros, o mundo ocidental estaria em convulsão, preocupado e indignado com a questão de Wallström. Ela tem todos os ingredientes para um confronto estilo “Choque das civilizações”.

Há poucas semanas atrás Margot Wallström, a Primeira-Ministra de Relações Exteriores, denunciou a subjugação das mulheres na Arábia Saudita. Como o reino teocrático proíbe mulheres de viajar, conduzir negócios oficiais ou casar sem a permissão do tutor masculino, e como garotas podem ser forçadas a casamentos ainda crianças onde elas são efetivamente estupradas por homens mais velhos, ela não falou mais que a verdade. Wallström condenou as cortes sauditas por ordenar que Raif Badawi receba dez anos de cadeia e mil chibatadas por criar um site que luta por secularismo e liberdade de expressão. Estes eram “métodos medievais”, disse a ministra, e uma “tentativa cruel de silenciar formas modernas de expressão”. E, uma vez mais, quem pode negar isso?

A repercussão seguiu o padrão estabelecido por Rushdie, as charges dinamarquesas e o Hebdo. A Arábia Saudita retirou seu embaixador e parou de emitir vistos para empresários suecos. Os Emirados Árabes Unidos se juntaram a ela. A Organização para a Cooperação Islâmica, que representa 56 estados majoritariamente muçulmanos, acusaram a Suécia de faltar com o respeito para com os “padrões éticos ricos e variados” do mundo – padrões tão ricos e variados, aparentemente, que incluem o enforcamento de blogueiros e o encorajamento de pedófilos. Enquanto isso, o Conselho de Cooperação do Golfo condenou sua “interferência inaceitável em assuntos internos do Reino da Arábia Saudita”, e eu não apostaria contra tumultos anti-Suécia muito em breve.

Ainda assim, não existe a “questão de Wallström”. Fora da Suécia, a mídia ocidental mal cobriu a história, e os aliados da Suécia na União Europeia não demonstraram estar inclinados em apoiá-la. Uma pequena nação escandinava enfrenta sanções, acusações de islamofobia e talvez coisas piores a vir pela frente, e todos ficam em silêncio.  E como tantas vezes acontece, o escândalo é que não há um escândalo.

É um sinal de como a política moderna ficou tão transtornada que uma política que defende a liberdade de expressão e os direitos das mulheres no mundo árabe seja tomada por uma liberal muscular*, ou neoconservadora, ou ainda uma apoiadora dos novos partidos de direita populistas cujo comprometimento com a liberdade de expressão é meramente uma fachada para seu ódio anti-muçulmano.  Mas Margot Wallström é aquela raridade moderna: uma política de esquerda que vai onde seus princípios a levam.

Ela é a Ministra de Relações Exteriores da fraca coalizão entre Socialdemocratas e Verdes (Partido verde) da Suécia.  Ela reconheceu a palestina em outubro do ano passado – e, não, a Liga Árabe, a Organização Para a Cooperação Islâmica e o Conselho de Cooperação do Golfo não a acusaram de “interferência inaceitável nos assuntos internos de Israel”. Eu confesso que seu gesto me pareceu contraproducente naquele momento. Mas depois de Bejnamin Netanyahu descartar um Estado palestino enquanto ele usava qualquer jogo sujo que ele pudesse imaginar para assegurar sua reeleição, ela pode clamar com justiça que a história a justificou.

Ela foi então para a versão saudita da Sharia. Seu criticismo não foi apenas retórico. Ela afirmou que era antiético para a Suécia continuar com seu acordo de cooperação militar com a Arábia Saudita. Em outras palavras, ela ameaçou a habilidade das companhias armamentistas suecas de fazer dinheiro. A negação de vistos de negócio a suecos por parte da Arábia Saudita ameaça prejudicar os lucros de outras companhias também. Você pode ver os suecos como socialdemocratas justos, que nunca deixam a preocupação de parecerem tediosos ficar no caminho de sua retidão. Mas isso nunca foi completamente verdade, e certamente não é verde quando há dinheiro em jogo.

A Suécia é o 12° maior exportador de armas do mundo – uma conquista e tanto para um país com apenas nove milhões de pessoas. Ela exporta para a Arábia Saudita um total de $ 1.3 bilhões. Líderes de negócios e funcionários públicos estão também cientes de que outros países majoritariamente muçulmanos devem seguir a liderança da Arábia Saudita. Durante a “Crise dos cartoons” – uma frase que eu ainda não consigo escrever sem bufar de incredulidade – companhias dinamarquesas encararam ataques globais e a rede francesa de supermercados Carrefour tirou produtos dinamarqueses de suas prateleiras para agradar consumidores muçulmanos. Uma campanha coordenada por nações muçulmanas contra a Suécia não é uma suposição fantástica. Há conversas de que a Suécia pode perder sua chance de ganhar um assento no Conselho de Segurança da ONU em 2017 por conta de Wallström.

Para expor a situação da forma mais leve que eu posso, o establishment sueco enlouqueceu. Trinta diretores-executivos assinaram uma carta afirmando que quebrar o acordo de comércio de armas “colocaria em risco a reputação da Suécia como um parceiro para comércio e cooperação”.

Nada menos que Sua Majestade o Rei Carl XVI Gustaf em pessoa recebeu Wallström no fim de semana para lhe avisar que queria um acordo. A Arábia Saudita vem transformando com sucesso o criticismo de sua versão brutal do Islamismo em um ataque a todos os muçulmanos, independente de eles serem Wahabitas ou não, e Wallström e seus colegas estão claramente enervados pelas acusações de islamofobia. Tudo indica que ela irá ceder à pressão, particularmente quando o resto da Europa progressista não demonstra nenhum interesse em apoiá-la.

Pecados de omissão são tão reveladores quanto pegados de permissão. O “caso” Wallström nos ensina três coisas. É mais fácil instruir países pequenos como a Suécia e Israel sobre o que eles podem ou não fazer do que países como os Estados Unidos e a China, ou uma Arábia Saudita que pode solicitar um apoio muçulmano global quando criticada. Em segundo lugar, uma Europa que está ficando cada vez mais velha e mais pobre está começando a achar que padrões de moralidade em política externa é um luxo pelo qual ela não pode pagar. A Arábia Saudita tem estado totalmente confiante de que a Suécia precisa do seu dinheiro mais do que ela precisa de produtos importados da Suécia.

Finalmente, e o mais revelador em minha opinião, o “caso” nos mostra que os direitos das mulheres sempre vêm em último lugar. Para ter certeza disso, basta ver as tempestades no Twitter sobre homens sexistas e a mídia alimentando frenesis toda vez que uma figura pública usa “linguagem inapropriada”. Mas quando uma política tenta uma campanha pelos direitos das mulheres sofrendo sob uma cultura clerical misógina e brutal, ela não é aplaudida; ao invés disso, encarara um silêncio vergonhoso e revelador.

-----------------------

* Em termos simplistas, um "liberal muscular" é normalmente definido como alguém que rejeita o multiculturalismo e, ainda que apoie a convivência de grupos de diferentes origens socioculturais, defende que a "cultura local" deva ser integralmente respeitada, tendo as "culturas" oriundas de fora a obrigação de se adequar ao contexto para o qual se moveram. A ideia de "liberal muscular" é associada principalmente ao atual Primeiro-Ministro britânico David Cameron.

15 de outubro de 2015

Karel Berkhoff - Motherland in danger


Salve, leitores. No vídeo de hoje do canal Leitura ObrigaHISTÓRIA, pela primeira vez desde o início deste canal, vou recomendar um livro originalmente escrito em inglês e, até o momento, sem tradução no Brasil. Motherland in danger: soviet propaganda during World War II é uma excelente obra, menos para entender a Segunda Guerra Mundial e mais para entender a dinâmica da censura durante o regime stalinista no evento que mais o marcou.



Se você gostar do vídeo, INSCREVA-SE no canal e ajude-o a crescer. Continuarei tentando trazer conteúdo de qualidade quinzenalmente nos vídeos do nosso canal.

11 de outubro de 2015

As crianças e a Segunda Guerra Mundial


“Compreendemos os horrores da guerra, suas leis implacáveis escritas com sangue. Mas as crianças, vidas em flor, o desabrochar do desabrochar, essas santas almas inocentes, beleza da vida (...) elas, que não fizeram mal a ninguém (...) sofrem pelos pecados dos pais (...) Fomos incapazes de protegê-las da fera. O coração sangra, e o pensamento congela de horror diante de pequenos corpos banhados de sangue, com dedos retorcidos e rostinhos deformados (...) São testemunhas mudas de sofrimentos humanos indescritíveis. Esses olhos pequenos, congelados e mortos (...) censuram a nós, os vivos.”

Cpt. Pavel Kovalenko

Diante da chegada do Dia das Crianças, elaboramos um pequeno texto sobre as consequências da Segunda Guerra Mundial para as crianças.

A extensão dos reveses que as crianças sofreram na Segunda Guerra Mundial é difícil de calcular. Alguma noção pode ser tirada de filmes, livros e séries ambientados durante a guerra, como A lista de Schindler, O menino do pijama listrado e A menina que roubava livros, além do famoso diário de Anne Frank, publicado em mais de sessenta idiomas. No entanto, a complexidade do assunto vai muito mais além.

A dedução mais lógica que podemos ter diante desse assunto é imaginar os milhões de jovens que ficaram órfãos de pai, mãe ou ambos no conflito, que destruiu famílias ao redor do mundo. Em 1945 havia aproximadamente treze milhões de crianças abandonadas como consequência da guerra; um milhão de órfãos na Polônia, 50.000 na Tchecoslováquia, 250.000 na França e 200.000 na Hungria. Na Grécia, uma em cada oito crianças era órfã. Não era incomum ver crianças marchando ao lado de regimentos por terem perdido tudo e o exército parecer a única esperança de sobrevivência.

Crianças alemãs sendo evacuadas
Há uma estimativa de que cerca de 140.000 crianças polonesas tenham sido deportadas para a URSS após a divisão da Polônia entre os soviéticos e alemães em outubro de 1939. Destas, cerca de 40.000 morreram e 85.000 nunca mais voltaram para sua terra natal.

Nas migrações em massa e fugas durante a guerra, muitas crianças pereceram diante da má nutrição ou clima. No duro inverno europeu, mães viam seus bebês morrendo de fome diante da impossibilidade de amamenta-los, já que devido a intensidade do frio, seus seios congelariam se descobertos. Muitas crianças foram dadas para adoção por pais e mães desesperados diante da provável morte de seus filhos em caso de mantê-los por perto.

Na Alemanha, país com baixa taxa de natalidade e grande número de abortos, a SS, apoiada pelo governo alemão, iniciou a Lebensborn, um programa de apoio ao nascimento de crianças que fossem consideradas “arianas puras”, mesmo de mães solteiras. Estas crianças eram posteriormente dadas para adoção para oficiais das próprias SS ou famílias também consideradas puras, de modo a ser criadas dentro dos valores da ideologia nazista.

Heinrich Himmler dirigiu um programa junto a outros segmentos da burocracia nazista onde crianças polonesas, tchecoslovacas e iugoslavas com fenótipo aceitável eram tiradas de suas famílias e avaliadas, sendo posteriormente enviadas para adoção de famílias alemãs se fossem consideradas puras ou aceitáveis, ou enviadas para campos de concentração se fossem consideradas indesejáveis, destinadas a trabalhar como escravas ou ser executadas. Este contexto causou uma situação de difícil resolução após o fim do conflito.

Crianças em Auschwitz
Apesar de cerca de 10.000 crianças (das quais aproximadamente 9.000 eram judias) terem sido salvas em 1939 do destino que tantas outras não conseguiriam escapar nos campos de extermínio, se estima que cerca de um milhão e duzentas mil de crianças judias pereceram na Solução Final. Os números de crianças judias vivendo na Europa em 1939 que sobreviveram ao conflito variam entre 6% e 11%.

Muitas crianças foram usadas como cobaias em campos como Auschwitz por cientistas e médicos ávidos por cobaias humanas. Sabe-se que o médico alemão Joseph Mengele, conhecido como “Anjo da morte”, foi responsável por brutalidades com crianças que iam da injeção de tinta azul nos olhos das mesmas na tentativa de mudar suas cores à ligação cirúrgica de gêmeos, na tentativa de criar gêmeos siameses artificialmente.

Outras crianças viraram alvo da ideologia nazista. Adolescentes alemães negros foram esterilizados, crianças deficientes sofreram eutanásia, crianças da etnia Romani (ou ciganas) foram mortas com suas famílias e crianças, especialmente polonesas e soviéticas, foram enviadas para trabalhar como escravas em campos de trabalho para fazendas e indústrias.
Estátua do Pequeno Insurgente, Varsóvia
           
Em países onde a catástrofe da guerra fora mais extrema, a participação das crianças foi mais ativa, inclusive em combate.

Na União Soviética, já em 1941, crianças patrulhavam as ruas no início da noite para avisar a população de possíveis ameaças. Elas eram também colocadas para trabalhar mantendo sacos de areia e baldes de água cheios durante ataques incendiários às cidades, e em locais mais afastados ocupados pelos alemães, eram comumente usadas por guerrilheiros para missões de reconhecimento.

Crianças com uma média de idade de dez a quatorze anos foram empregadas diretamente em combate em diferentes países, normalmente por guerrilheiros ou resistências clandestinas. Em Varsóvia, durante o levante de 1944, homens, mulheres e crianças lutaram pelo Armia Krajova contra os nazistas até o levante ser suprimido. Hoje, em Varsóvia, é possível encontrar um monumento ao “Pequeno insurgente”, homenageando as crianças que lutaram no levante, e sendo inspirada no garoto de codinome Antek, que morreu lutando no conflito aos treze anos de idade.

Hitler condecorando soldados da Juventude Hitlerista com
a Cruz de Ferro.
Em 1945, cerca de cinco mil jovens (alguns de até doze anos) pertencentes à Juventude Hitlerista lutaram contra os soviéticos durante a Batalha de Berlim, tendo apenas 10% destes sobrevivido. Em Okinawa, crianças foram mandadas para o combate contra os Aliados, muitas vezes armadas apenas com uma espada.

Além da morte em combate, muitas viram seu fim em ataques aéreos. Os bombardeios aliados de julho de 1943 em Hamburgo foram responsáveis pela morte de 5.586 crianças, e um número impossível de se estimar pereceu nos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Das que sobreviveram aos dois ataques nucleares de agosto de 1945, muitas morreram posteriormente pelos efeitos da radiação, e cerca de trinta e três cujas mães estavam grávidas no momento nasceram com microcefalia.

Criança londrina após um bombardeio
Muitas crianças foram evacuadas de suas cidades em diferentes países, por vezes sendo enviadas a outras nações (como as cerca de 64.000 crianças finlandesas enviadas para a Suécia). Em alguns casos, por conta da desorganização oriunda do desespero, estas nunca mais conseguiram reencontrar suas famílias ou voltaram para casa. Destes países, o que mais empreendeu a evacuação de cidadãos foi a Grã-Bretanha. Cerca de quatro milhões de adultos e crianças foram evacuados para cidades menores e zonas rurais, e outros dois milhões evacuaram por conta própria.

Os números de delinquência juvenil nas grandes cidades aumentaram consideravelmente. Alguns grupos de jovens, no entanto, engajavam seus atos dentro de posturas de resistência, como os Edelweißpiraten (ou Piratas de Edelweiss), um grupo formado por crianças e adolescentes que escapavam de fazer parte da Juventude Hitlerista por evasão escolar e ainda não tinha idade de entrar para o exército. Estes agrediam membros da Juventude Hitlerista, cantavam músicas antinazistas, faziam pichações contra Hitler e até mesmo ajudavam desertores quando podiam.


A despeito do baby boom ocorrido em algumas regiões, a catástrofe demográfica da guerra para alguns países levou anos para ser revertida ou controlada. Em guerras e catástrofes subsequentes, imagens do sofrimento de crianças causaram grande comoção mundial, e tiveram importante papel de conscientização popular. Elas são o lembrete de que conflitos, sejam eles extensão da política (como afirmava Clausewitz) ou não necessariamente isso (como defende John Keegan), são responsáveis pela perda da inocência de um incalculável número de crianças mundo afora.

Leituras:
BARTOV, O.; GROSSMANN, A.; NOLAN, M. Crimes de Guerra: culpa e negação no século XX. Rio de Janeiro: Difel, 2005.

BEEVOR, Antony. Berlim 1945: a queda. 9ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2011.

DAVIES, Norman. O levante de 44: a batalha por Varsóvia. Rio de Janeiro: Record, 2006.

FEHRENBACH, Heide. "War orphans and postfascist families: kinship and belonging after 1945". In: BIESS, Frank; MOELLER, Robert G. Histories of the aftermath: the legacies of the Second World War in Europe. Nova York: Berghahn Books, 2010.

HACKETT, David A. (org). O relatório Buchenwald. Rio de Janeiro: Record, 1998.

HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

I.C.B. Dear and M.R.D. Foot, (org) The Oxford Companion to World War II. New York: Oxford University Press, 1995.

KERSHAW, Ian. O fim do Terceiro Reich: a destruição da Alemanha de Hitler, 1944-1945. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

10 de outubro de 2015

Relações entre Rússia e Turquia na história


Diante da atuação militar russa na Síria, do qual muito se fala, mas nem tanto assim se tem certeza – haja vista as informações discrepantes que os diferentes veículos de mídia nos trazem –, cresce a tensão entre o Kremlin e o governo turco, sediado na capital Ancara.

Nos últimos dias a situação ganhou novos contornos diante da notícia de que jatos russos violaram o espaço aéreo turco. Rece Tayyip Erdogan, presidente turco, afirmou em resposta que “Um ataque à Turquia significa um ataque à OTAN”. Sendo membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Turquia possui o segundo maior contingente militar entre os integrantes do Tratado, estando atrás apenas dos Estados Unidos. Apenas estes dois países contam com um contingente oficial de mais de um milhão de soldados.

O Ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, afirmou que os SU-30 entraram brevemente no espaço aéreo turco por consequência de mal tempo, e que as medidas cabíveis para que isso não voltasse a se repetir seriam tomadas. Foi dito, também, que os devidos esclarecimentos foram prestados à Turquia diante de tal fato.

Para o Presidente turco, tais ações ameaçariam as relações positivas entre Rússia e Turquia. E tais relações se ancoram, principalmente, em fatores energéticos. A Turquia é o segundo maior importador de gás natural da Rússia na Europa depois da Alemanha. Diante das tensões entre, de um lado, a União Europeia e os Estados Unidos e, do outro, a Rússia, – além da crise econômica, a queda nos preços do petróleo e a desvalorização crescente do rublo – a importância da Turquia como importador cresceu consideravelmente, o que pede ao Kremlin cautela no trato com o governo Turco.

Turcos se aproximam de Constantinopla, pintura de Faust Zonaro
Porém, a relação entre turcos e russos vem de longa data.

Podemos estabelecer certa relação entre as nações quando estas ainda eram impérios. Após a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, Moscou passou a se proclamar a única portadora da missão ortodoxa e herdeira do Império Bizantino. Tal postura fazia jus ao epíteto de “Terceira Roma” que a cidade carregava.


Nos séculos XVIII e XIX, o expansionismo do Império Russo colidiu diretamente com o expansionismo do Império Otomano, resultando em uma série de conflitos, majoritariamente vencidos pelos Russos (como a Guerra Russo-Turca entre 1828 e 1829), diante dos Otomanos cujas mostras de enfraquecimento aumentavam desde cerca de 1700. As tensões resultantes culminaram na Guerra da Crimeia (1853-1856), onde Grã-Bretanha, França e o Reino da Sardenha (com o apoio também dos austríacos) se aliaram à Turquia contra as ambições expansionistas russas. A guerra, a qual Eric Hobsbawm se refere como “massacre mal conduzido”, foi a primeira em continente europeu a usar a tática de trincheiras que seria responsável por tantas mortes e sofrimentos na Primeira Guerra Mundial aproximadamente 50 anos depois.

Cerco de Sevastopol, Guerra da Crimeia. Pintura de
Franz Roubaud
A estimativa é de que mais de 600 mil pessoas tenham perecido na Guerra da Crimeia, sendo cerca de 500 mil delas por doença: 22% das tropas inglesas, 30% das francesas e cerca de metade das russas. A derrota russa no conflito desestabilizou a imagem do império, e facilitou as conjunturas que, futuramente, culminariam na Revolução Russa. Os conflitos entre os impérios que se seguiram ajudaram a definir as fronteiras da região e foram responsáveis por um grande fluxo migratório de diferentes etnias.

Os russos foram, anos depois da Guerra da Crimeia, responsáveis por aquele que é considerado por alguns como o primeiro genocídio da era moderna, o genocídio dos Circassianos durante a Guerra Russo-Circassiana. Milhares foram sistematicamente assassinados, enquanto outros milhares morreram de fome e frio em migrações forçadas. Estima-se que os números de tal evento seriam de aproximadamente 400.000 mortos, 497.000 forçados a fugir para a Turquia e cerca de apenas 80.000 puderam permanecer em sua terra natal, no norte do Cáucaso.

Circassianos protestando contra os jogos
em Sochi (Chris Helgren/Reuters).
A Geórgia, após o conflito com a Rússia em 2008, passou a ouvir as demandas dos grupos que clamam por reconhecimento internacional do genocídio Circassiano, e em 2010 se tornou o primeiro país do mundo a reconhece-lo. O mesmo não acontece com o governo russo. As Olimpíadas de Inverno de 2014 inclusive foram sediadas na cidade de Sochi, região onde o genocídio teria ocorrido 150 anos antes, gerando revolta por parte dos grupos que clamam pelo reconhecimento. Atualmente, cerca de 5 milhões de pessoas na Turquia se identificam como descendentes de Circassianos, direta ou indiretamente.


Complicando ainda mais a situação, Armênia e Turquia, ambas aliadas da Rússia nos dias de hoje, não reconhecem seus genocídios mutuamente. Vale dizer que, se classificado como genocídio, a morte em massa dos Circassianos tomaria o lugar do genocídio armênio de primeiro da história moderna, algo que para alguns seria uma afronta, haja vista que mesmo o caso armênio sendo muito mais conhecido, ainda não é reconhecido por alguns países.

Diga-se de passagem, parte das motivações das expulsões de armênios do Império Otomano que resultaram no genocídio se deram, em parte, por conta do contexto da Primeira Guerra Mundial, onde os impérios Russo e Otomano lutavam em lados opostos. Os armênios eram encarados com grande desconfiança, sendo vistos como uma quinta coluna russa em potencial (ou mesmo ativa).

Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, o Império Russo estabeleceu um acordo com a Grã-Bretanha e a França de dividir o Império Otomano em zonas de influência, através do acordo Sykes-Picot (que também teve participação do ministro das relações exteriores da Rússia czarista, Sergei Sazonov). Em uma carta aos embaixadores britânico e francês em São Petersburgo, Sazonov afirmava claramente que o império desejava o controle de Istambul e o leste da Anatólia, povoado majoritariamente por armênios no período. O tratado secreto foi revelado ao mundo por Vladimir Lenin e Leon Trotsky na época do Tratado Brest-Litovsk, mas aos poucos a participação russa no tratado foi suprimida.

Britânicos e Franceses tiveram papel fundamental nas divisões do território do antigo Império Otomano, guiadas principalmente pelos poços de petróleo já conhecidos na região, acabando com as esperanças da Rússia em ter seu quinhão territorial no Mar Mediterrâneo.


Logo, podemos dizer que as ambições russas por território turco em busca de ligação com o Mediterrâneo foram indiretamente responsáveis por partes da divisão do atual Oriente Médio, resultado de tensões entre o Império Russo e Otomano. E, novamente, a Rússia busca defender seus interesses no Mediterrâneo apoiando o regime de Assad de modo a manter no poder um governo que é a continuação do regime que, em 1971, assinou o tratado fornecendo a base naval de Tartus à União Soviética. Esta ainda pertence à Rússia.

Outro momento de tensão que relacionou os dois países foi a Crise dos Mísseis de 1962. A iniciativa de mandar ogivas nucleares às bases cubanas deu-se, em grande parte, ao fato de os Estados Unidos ter instalado suas ogivas na Inglaterra, Itália e Turquia, sendo esse o país mais próximo da União Soviética. O resultado disso foi a mais grave tensão da Guerra Fria, que por pouco não se tornou uma catástrofe nuclear.


Esta breve reflexão objetivou demonstrar como as relações entre estes dois países, outrora impérios, foi responsável por eventos que tiveram grande influência na história, não apenas Europeia, mas também mundial.

Leituras:
FURTADO, Peter (Org.). Histories of nations: how their identities were forged. Londres: Thames & Hudson, 2012.

GRANT, R.G. Battle: a visual journey through 5,000 years of combat. Londres; DK, 2005.

HOBSBAWM, Eric. A era do capital: 1848-1875. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.









3 de outubro de 2015

A venda do Alaska pela Rússia para os EUA: a perspectiva do governo imperial russo

Quando eu estudava, ainda na graduação, o expansionismo dos EUA rumo ao oeste, me chamou a atenção em especial a compra do Alaska. Até então parte da Rússia czarista, o território foi vendido em 1867 por meros $ 7.2 milhões, uma quantia irrisória (aproximadamente dois centavos por acre).

Minha reação imediata àquela informação foi de indignação. Influenciado por leituras como “Enterrem meu coração na curva do rio”, de Dee Brown, tudo o que tinha relação com o estabelecimento dos territórios pertencentes aos EUA como se configuram nos dias de hoje parecia um grande absurdo.

Contudo, quando se trata de história, política e relações internacionais, os eventos são sempre mais complexos do que aparentam à primeira vista.

No século XIX, o Alaska era um centro de comércio internacional. Sua capital, Novoarkhangelsk (atualmente a cidade de Sitka), diferentes produtos eram comercializados, desde tecidos chineses a chá e gelo (comercializado principalmente com o sul dos Estados Unidos). A região era também proeminente na construção de navios e mineração de carvão, e já se sabia dos depósitos de ouro da região.

Os mercadores russos se dirigiam até a região em busca de marfim de morsa e peles de lontras, que eram adquiridas através de trocas com os povos nativos da região, e estas trocas eram feitas pela Russian-American Company (RAC). A companhia, iniciada por aventureiros no século XVIII, controlava todas as minas e minérios do Alaska, e tinha a prerrogativa de entrar em negociações independentemente com quaisquer países, tendo inclusive sua própria bandeira, privilégios estes concedidos pelo governo imperial russo. Além do governo coletar um grande montante em impostos da RAC, o czar e membros de sua família estavam entre os acionistas da empresa.

O principal líder dos assentamentos russos na América era o mercador Alexander Baranov. Responsável pela construção de escolas, fábricas, fortes e estaleiros navais, ensinou os nativos a plantar batatas e rutabagas[1] e foi o responsável pela expansão do comércio de pele de lontras na região. Baranov chamava a si mesmo de “Pizarro russo” e caso com a filha de um chefe Aleut (um dos grupos nativos da região).
Ratificação do tratado de venda do Alaska
pelo Império Russo. Fonte:
https://research.archives.gov/id/299810

Quando Baranov deixou de lado sua participação na RAC, foi substituído pelo Tenente-Capitão Hagemeister, que trouxe consigo novos empregados e sócios oriundos de círculos militares. Foi instituído, então, que apenas oficiais da marinha poderiam liderara a companhia. Era o começo da ruína da empresa.

Os novos líderes da RAC estabeleceram salários astronômicos para si mesmos; oficiais comuns passaram a receber 1,500 rublos por ano (equivalente ao salário de ministros e senadores) enquanto o líder da companhia recebia 150.000 rublos. Estes forçaram os nativos a venderem as peles de lontras por metade do preço, fazendo com que a matança de lontra por parte dos Esquimós e Aleuts atingisse níveis catastróficos. Nos vinte anos seguintes, quase todas as lontras foram mortas, privando o Alaska de sua fonte de comércio mais lucrativa. O subsequente sofrimento dos nativos diante da escassez resultou em planos de revolta contra os russos, suprimidos através de intimidação mediante o bombardeio de vilas na costa por navios da marinha.

Os oficiais passaram a buscar outras fontes de lucro, apelando para o comércio de gelo e chá, mas este não foi o bastante para salvar a companhia (levando em conta nesta equação que a diminuição de salários não estava em debate), mesmo com posteriores subsídios estatais.

Ratificação do tratado pelos
Estados Unidos. Fonte:
http://memory.loc.gov/cgi-bin/ampage?
collId=llej&fileName=017/
llej017.db&recNum=248
Eis que a Guerra da Criméia se iniciou, colocando a Rússia diante de Grã-Bretanha, França e Turquia. Dentro desse contexto, a Rússia não teria condições de suprir ou defender o Alaska – as rotas marítimas eram controladas pelos navios aliados. Até mesmo a projeção de extração de ouro da região foi comprometida, diante do medo que os britânicos pudessem bloquear o Alaska e tomar a região para si, deixando os russos sem nada.

As tensões entre Moscou e Londres cresciam, e nesse contexto surgiu a ideia da venda do Alaska, tanto autoridades dos Estados Unidos quanto da Rússia. O enviado russo a Washington, o Bartão Eduardo de Stoeckl, iniciou as primeiras conversas com o Secretário de Estado, Willian Seward a favor do czar Alexandre II.

No início, a opinião pública em ambos os países era completamente contrária à negociação. Os jornais russos escreviam sobre o absurdo que seria desistir de uma região onde foram investidos tantos esforços e recursos, que já contava com telégrafo e onde já se sabia dos ricos depósitos de ouro. Já a imprensa estadunidense se queixava sobre a necessidade de uma “caixa de gelo” e 50,000 esquimós selvagens que “bebiam óleo de peixe no café da manhã”. O próprio Congresso dos EUA era contra a compra da região.

No entanto, em 30 de março de 1867 em Washington D.C., os partidos assinaram o acordo que previa a venda de 1.5 milhões de hectares de terra russos na América por $ 7.2 milhões, o equivalente a dois centavos por acre (ou $ 4.74 por quilômetro quadrado). Tal soma era considerada puramente simbólica, mas a situação era crítica: mantendo o território, os russos corriam o risco de não receber nem mesmo aquela quantia e ainda perder o território para os Britânicos.
Cheque de pagamento pela compra do Alaska.
Fonte: http://www.vrot.su/archives/96

Os russos da região que se recusaram a receber cidadania estadunidense foram embora, e pouco tempo depois se iniciou a corrida do ouro na “caixa de gelo”, um insulto para os russos que não se conformavam com o negócio. Mesmo hoje algumas pessoas dentro e fora da Rússia não conseguem se conformar com um negócio que, mesmo na época, parecia tão desvantajoso e rendeu aos Estados Unidos centenas de milhares de dólares. Contudo, dentro de seu contexto particular, a transação adquire tons de cinza que deixam de lado o maniqueísmo que costuma permear as discussões sobre este tipo de assunto.

A maior parte deste artigo é uma tradução livre de um artigo publicado no site “Russia beyond the headlines”, que pode ser acessado AQUI





[1] Planta híbrida resultante do cruzamento da couve com o nabo, cuja grossa raiz, forrageira, se presta, quando nova, ao consumo pelo homem. Não encontrei um nome em português equivalente para a planta.