23 de março de 2012

Piedade sangrenta: a legitimação da tortura na caça às bruxas na Europa

Enquanto tento achar algum tempo para resenhar um livro lido há alguns meses, trago a vocês meu artigo publicado na revista Alétheia, focada em estudos da Antiguidade e Idade Média. O tema do artigo, como o título explicita, é relativo ao uso de tortura nos processos de bruxaria durante o auge da dita "Caça às bruxas". Quais os principais argumentos que permitiam que a tortura fosse socialmente aceita (e por que não dizer desejada) em âmbito geral? Tentei responder a essa questão com este artigo, que foca menos nas execuções e mais nos suplícios antes da morte.

A edição da revista pode ser conferida AQUI. O artigo em questão consta na página 177.

9 de janeiro de 2012

Ray Raphael - Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos


RAPHAEL, Ray. Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos: a verdadeira história da independência norte-americana. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.

Os Estados Unidos é um país onde demonstrações de patriotismo eclodem com alguma frequência, e são exportadas ao redor do globo através do cinema, música e outras formas de comunicação e/ou entretenimento. Tais demonstrações se tornaram ainda mais frequentes após os atentados às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001. Muito desse patriotismo exposto de forma orgulhosa está alicerçado na história da independência do país, repleta de exemplos de atos heróicos, atitudes visionárias e uma força de vontade acima do normal para encarar a nação que era, no período, o maior império do mundo.

Contudo, as diversas histórias a respeito da independência dos Estados Unidos do jugo britânico estão repletas de floreios e distorções que as transformaram em histórias palatáveis ao grande público. É este o assunto desta obra brilhante, escrita por Ray Raphael, Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos. Seu principal objetivo é demonstrar, através de intensa pesquisa documental, que os mitos a respeito da fundação do país são, em sua maior parte, construções oriundas do século XIX, contaminadas pelo romantismo do período. Tal romantismo transformou indivíduos em heróis e visionários, sendo essa construção positivista romântica do heroísmo individual muito mais atrativa e construtora de um sentimento de orgulho do que um processo histórico formado por conjecturas e cujo protagonismo é coletivo.

Os capítulos do livro se dedicam, cada um, a um mito em especial, mas alguns deles têm traços em comum. Temos exemplos de mitos oriundos da transposição de histórias, condensadas em uma única história com os elementos mais agradáveis ou convenientes (o caso de Molly Pitche, do capítulo 2), mitos sobre ações atribuídas a indivíduos cujo protagonismo é elevado sobre o povo (a cavalgada de Paul Revere, Sam Adams, o discurso de Patrick Henry), o maniqueísmo entre os colonos bons e o colonizador mau, o mito da inferioridade material e numérica dos colonos frente ao império britânico, a mitificação de eventos em detrimento de outros (como Valley Forge), o papel dos indígenas e dos negros, entre outros. O que os mitos têm em comum, nesse caso, é que todos eles foram construídos de uma forma simplificada, objetivando despertar sentimentos patrióticos e de cidadania, a partir de exemplos de esforços individuais que, segundo os mitos, foram determinantes para o sucesso da independência; transforma os ancestrais dos estadunidenses em verdadeiros heróis excepcionais, diante de tão árduo desafio. Estas mitificações apresentam uma série de problemas, os quais Raphael aborda de forma didática, simples e objetiva.

Alguns pontos de maior importância devem ser destacados na análise de Raphael sobre os mitos da independência. O autor muitas vezes bate na tecla sobre o protagonismo do povo na revolução. Homens como Thomas Jefferson, ao qual a Declaração da Independência é creditada – sendo algo que veio do indivíduo apenas –, tornam-se símbolos, e neste processo o papel dos homens comuns é deixado em segundo plano. Para aprofundar o exemplo citado, Raphael argumenta que a declaração nem sequer fora a primeira, haja vista que alguns estados já haviam feito as suas, e a maior parte dos elementos dos quais os estadunidenses se orgulham tiveram uma inspiração gigantesca de filósofos europeus, como John Locke. O perigo desse tipo de romantização do processo é que o papel do povo como construtor dos processos históricos é colocado em segundo plano; tal processo, de caráter nacionalista e positivista, mostra o povo como passivo, necessitado de líderes cuja ausência não permitiria que a independência pudesse seguir seu curso. Algo antidemocrático, que ao invés de inspirar o indivíduo a tornar-se agente ativo na sociedade, o condiciona a lideranças que lhes ditem as ações.

O maniqueísmo presente no mito, que romantiza o colono em desvantagem numérica reagindo à brutalidade britânica ou suportando passivamente as intempéries, é também prejudicial. Ao contrário do que se tenta fazer crer, histórias como as do inverno em Valley Forge – onde os soldados teriam resistido resignadamente ao rígido inverno entre 1777 e 1778 – estão repletas de uma imensa complexidade, relegada á segundo plano em detrimento de uma história moralizante de resignação diante não apenas do inimigo estrangeiro, mas da implacabilidade da natureza. Os combatentes, cujas necessidades alimentares e de vestuário eram constantemente negligenciadas pelo governo, se viam diante da necessidade de saques e mesmo da deserção, e lutavam por direitos e melhores condições; tal luta algo que nem de longe deveria ser motivo de vergonha, mas os mitos que apagam tais eventos os tratam como se houvesse, de fato, motivo para se envergonhar.

A obra de Raphael deveria ser lida por todo cidadão dos Estados Unidos. Os mitos fundadores do país estão de tal forma entranhados no cotidiano do país que tal esforço em forma de livro dificilmente teria um grande efeito desestabilizador. Apesar disso, a mensagem que o autor deixa clara por mais de uma oportunidade no decorrer da obra é que as verdades por trás dos mitos não são motivo de vergonha ou tiram o crédito dos colonos e revolucionários do período, muito pelo contrário. Demonstrar a complexidade dos processos que culminaram na independência e o desenrolar deste acontecimento coloca o povo no centro da questão, humaniza os personagens e mostra ao cidadão que a luta coletiva e a democracia, mais do que seguir líderes visionários, parte da coletividade. Como Raphael diz em sua conclusão, “o debate contencioso é mais adequado ao funcionamento de uma sociedade democrática do que a recitação decorada”. Ao invés do apego a exemplos excepcionais e histórias polidas, o autor propõe o debate e a deliberação coletiva das questões pertinentes aos cidadãos tal como era feito no passado.

Para complementar o pensamento, cito ipsis literis o último parágrafo da obra:

Quem controla a narrativa, controla a história. Essa é uma mensagem poderosa. Os que a ignoram permanecerão cegos para a manipulação dos outros, mas os que a aceitarem, como o povo na Revolução Americana, serão capazes de questionar o abuso de autoridade e assumir o controle do seu destino.

Leitura obrigatória para qualquer historiador e indicado a entusiastas, exceto àqueles que possuem uma aversão absoluta aos Estados Unidos, seja lá por quais razões.

Preço médio: R$ 40,00


Obs: Adquiri o livro por R$ 12,90 na livraria Livros e Livros de Florianópolis (uma das duas filiais dentro da UFSC). Quem tiver acesso às promoções desta livraria, não perca.

7 de janeiro de 2012

Paul Larivaille - A Itália no tempo de Maquiavel


LARIVAILLE, Paul. A Itália no tempo de Maquiavel: Florença e Roma. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

O Renascimento italiano é um tema singular que instiga a curiosidade de muitos, e já foi objeto de estudo de alguns historiadores de renome. Ainda no século XIX, Jacob Burkhardt dedicara um livro ao período na Itália, que veio a ser tornar referência no assunto. Já no século XX, o tema foi tratado à exaustão, e a questão a respeito do recorte geográfico desse dito “renascimento” transpassar ou não as fronteiras dos estados que viriam a formar o que conhecemos hoje por Itália, no século XIX permaneceu. O inglês Peter Burke é outro exemplo de historiador renomado que aborda o tema, tecendo, inclusive, críticas a Burkhardt por conta deste último defender a idéia de um Renascimento localizado – na Itália, como pode-se supor.

A presente obra analisada de autoria de Paul Larivaille, especialista no Renascimento italiano, faz parte de uma coleção intitulada A vida cotidiana, que possui outros livros de grande qualidade, como No tempo dos cavaleiros da Távola Redonda, de Michel Pastoreau e O Faroeste, de Claude Fohlen. Como o título da coleção dá a entender, a obra não se limita a discutir apenas os pontos mais previsíveis do período trabalhado – aproximadamente entre 1420 e 1530 –, como as relações de poder entre as famílias, o papado ou as artes, mas também problematiza as camadas mais pobres e sua participação nessa vida cotidiana, que não pertenceu apenas aos palácios dos príncipes.

Apesar de tal proposição abrangente, era de se esperar que, também por uma questão de facilidade com relação ao acesso às fontes, a obra reservasse grande espaço aos temas mais previsíveis apontados acima. Ganham destaque os diversos jogos de política da Itália do século XV; em vários capítulos a família Médici, principalmente Lourenço, o Magnífico, além da Igreja – principalmente durante o pontificado de Rodrigo Borgia, então Alexandre VI – têm grande destaque na narrativa. A corrupção, não apenas durante o período em que Alexandre VI fora papa, mas também o período anterior e posterior ao seu comando da Igreja, ganha um capítulo próprio, inclusive fazendo alguma relação com a vindoura reforma.

Larivaille não se esquece do importante papel dos mercadores e banqueiros, aos quais um capítulo também é dedicado, assim como aos artistas. Maquiavel, cujo nome estampa o título da obra, também tem um capítulo dedicado a si, que pretende discutir não apenas o senso comum a respeito do personagem, mas também se dedica a discutir o papel do intelectual no contexto que o livro trabalha.

Os últimos dois capítulos, acrescidos da conclusão, voltam seu foco para as classes subalternas, trabalhando a relação entre a plebe e a nobreza, o campo e a cidade, e a discussão a respeito do que é mito e o que é realidade na condição do camponês. Trata, também, do papel dos indivíduos da família na sociedade, e sabiamente desmistifica os ideais de pais de família, mulheres e etc, baseados em documentos mais voltados para deleite de famílias abastadas do que compromissados com a realidade cotidiana, principalmente das classes menos favorecidas socialmente.

Em suma, a obra de Paul Larivaille mostra uma Itália paradoxal; ao mesmo tempo em que mostra a fragilidade das estruturas políticas e militares diante da intervenção de grandes nações vizinhas e à mercê das mesmas, mostra como banqueiros e comerciantes eram proeminentes no comércio europeu, e como, à sua maneira, os estados triunfaram sobre as ameaças externas no desenvolvimento das artes e das letras, que reforçavam uma suposta superioridade local, em contraste com o barbarismo e grosseria dos estrangeiros Um contexto onde a subjugação militar não ultrapassa os limites da cultura e da economia, sendo tanto a primeira quanto a segunda formas de resistência e unidade diante da ameaça externa.

Um livro que não se perde nem em bajulação, nem em detração gratuitas ou exageradas, A Itália no tempo de Maquiavel é uma leitura obrigatória para qualquer historiador que anseie entender melhor a sociedade onde o “Renascimento” tomou forma. Para leitores casuais, o livro pode ser de difícil digestão em sua totalidade, mas a variedade de temas e capítulos fornece uma ampla gama de leituras localizadas que podem despertar interesse.

Preço: Esgotado
(Sugerimos uma busca no site Estante Virtual)

6 de outubro de 2011

Maria Bernadete Ramos Flores - Os espanhóis conquistam a Ilha de Santa Catarina

FLORES, Maria Bernadete Ramos. Os espanhóis conquistam a Ilha de Santa Catarinana: 1777. Florianópolis: Editora da UFSC, 2004.

Utilizando-se de trabalhos já conceituados da historiografia sobre Santa Catarina, além de fontes documentais precisas, a professora do departamento de História da UFSC Maria Bernadete Ramos Flores lançou, em 2004, a obra Os espanhóis conquistam a Ilha de Santa Catarina. O livro em questão faz parte da Coleção Rebento, organizada pela professora  Élio Cantalício Serpa, com outros livros sobre a história de Santa Catarina.

Desde o início, deve-se ter claro que a intenção da autora não foi fazer um trabalho estritamente acadêmico, mas sim, algo que possa atingir um público mais amplo. Sua escrita é de leitura agradável e flui com naturalidade, dialogando com os documentos e dando vida aos personagens das narrativas, todos eles verídicos. A autora, inclusive, discute tal opção ao fim do livro. A escolha do título tem o mesmo objetivo; não existia Espanha como nação unificada em 1777, fora o então reino de Castela que perpetrou a conquista da ilha que viria a se tornar o município de Florianópolis.

Tentando trazer a tona a confluência de motivos e acontecimentos que culminaram na conquista da ilha, Maria Bernadete trabalha com a correspondência e os documentos oficiais da época – as fontes que restaram – para reconstruir, passo a passo, a chegada da frota espanhola. Mostra as lacunas causadas pela demora entre as comunicações e a divergência de informações entre as partes envolvidas. Dizia-se que havia um contingente militar maior do que realmente havia para a defesa da ilha e nas fortalezas construídas para tal fim. A Ilha era um local estratégico importante para ambas as coras – portuguesa e espanhola –, pois tratava-se de um local onde as naus poderiam aportar vindos das capitanias ao norte rumo à Sacramento, Rio da Prata, entre outros. Para os espanhóis, era um local onde as penúrias da travessia do atlântico poderiam ser aliviadas.

A conquista ocorreu sem maiores empecilhos. Não houve resistência de um só homem, e as bandeiras de Castela foram hasteadas por todos os cantos. Durante um ano e meio a coroa espanhola teve posse da Ilha, até que um acordo entre Dona Maria I e Dom Carlos III – a primeira sobrinha do segundo – devolvesse a Ilha a Portugal. A autora tenta tratar tanto o período anterior à conquista quanto posterior, abordando aspectos como, por exemplo, o povoamento da Ilha e os relatos sobre seu cotidiano por parte de viajantes.

Dentro de sua proposta, Maria Bernadete obteve êxito com a obra. De fácil leitura, o livro pode ser devorado em questão de horas por qualquer leitor interessado no tema. Traz durante o corpo do texto uma extensa quantidade de transcrições de documentos, que aumentam a sensação de uma narrativa literária, contribuindo para sua apreciação, além de informar detalhadamente a localização dos documentos utilizados na pesquisa. Eis uma página da história de Santa Catarina que a grande maioria de sua população desconhece por completo. Indicado para quem tem interesse na história do estado e na colonização açoriana.
Preço médio: R$ 15,00

3 de outubro de 2011

Matthew Restall - Sete mitos da conquista espanhola

RESTALL, Matthew. Sete mitos da conquista espanhola. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.


Quando a história dos povos ditos “pré-colombianos” não é totalmente ignorada por escolas ou até mesmo o ensino superior, geralmente ela é permeada de pontos pacíficos. Trabalha-se, por exemplo, com o pressuposto que os espanhóis foram confundidos com deuses pelos astecas e que a ingenuidade nativa contribuiu para sua ruína. Superestima-se a potencialidade do uso da pólvora e dos cavalos, além de vermos os espanhóis como um grupo de bravos soldados da coroa castelhana que, comandados por líderes excepcionais e visionários, conseguiram sobrepujar os nativos.

Tal perspectiva de superioridade – esta quase encarada como natural – é algo que acompanha histórias nos mais diversos países e nas mais diversas épocas. Tais narrativas estão sempre carregadas de um discurso oriundo daqueles que dominam ou obtém êxito no conflito em questão. E na história da conquista espanhola nas Américas, isso não é diferente.

Eis que Matthew Restall, professor da Pennsylvania State University, especialista em estudos latino-americanos (e como algumas de suas obras deixam claro, no império Maia), traz em sua pesquisa uma obra magistral que, com excelentes argumentos e embasadas em fontes escritas tanto espanholas como nativas, gravuras, relatos de intelectuais, entre outras, derruba muitos dos argumentos até então tomados como válidos no que tange à conquista espanhola. Quando não os derruba, ao menos os esmorece, questionando seu status de verdade absoluta.

Em Sete mitos da conquista espanhola, Restall imerge nas fontes e obras já escritas a respeito do tema para desmistificar tal conquista, separando os “sete mitos” por capítulos. No primeiro, o autor trabalha o mito de que os conquistadores eram homens excepcionais, cujos líderes eram brilhantes estrategistas e verdadeiros visionários. Não apenas isso; mostra, apoiado em argumentos sólidos, que nem mesmo Colombo era o homem excepcional que até hoje é mostrado quando o assunto é o descobrimento das Américas. Não era Colombo um gênio solitário que percebera, ao contrário dos seus contemporâneos, que a Terra era redonda; todos os europeus cultos do período, ou ao menos sua grande maioria, compartilhavam de tal tese. Mostra como o mito do navegador, de nacionalidade ainda não confirmada, foi construído, em parte, através de seus próprios escritos, firmando-se principalmente no mundo anglófono do século XIX.

A seguir, Matthew Restall derruba o mito de um exército organizado por parte da realeza castelhana. Os conquistadores espanhóis nada mais eram que homens – alguns de posses, outros não – que recebiam concessões para o empreendimento nas Américas em busca de uma vida melhor. Não havia sequer exércitos “estatais” no período para que tal hipótese tivesse fundamento, algo que teve início apenas no século XVIII.

O terceiro mito é o do conquistador branco. Sabe-se há muito tempo que os espanhóis tiveram um apoio massivo de nativos americanos na derrocada dos Astecas, por exemplo. Contudo, a importância de tal participação costuma aparecer minimizada nas fontes do período. Mais ainda, Restall traz à tona trabalhos anteriores ao seu e fontes que mostram que os espanhóis tiveram uma valiosíssima ajuda de negros, em sua maior parte escravos. Negros lutaram nessa conquista, sendo sua participação crucial para seu sucesso; mas sua participação caiu no esquecimento, graças ao mito do conquistador europeu branco, que tratava a si mesmo como excepcional para legitimar sua presença nas Américas e justificar as concessões régias.

O mito seguinte é o da falha na comunicação entre europeus e astecas. O autor admite que falhas existiram, e certamente não foram poucas, mas mostra que a aplicabilidade de tal análise é deveras vaga, ao mostrar a miríade de relatos sobre casos em específico, onde em cada relato há alguma mudança, seja ela na descrição dos acontecimentos ou em sua interpretação.

Os dois capítulos seguintes abordam os mitos relativos à desolação nativa e o da superioridade espanhola. Os mitos acerca dessas questões mostram os nativos não apenas como ingênuos e incivilizados, mas brutais; a vida dos servos de tais impérios era curta e miserável, e a conquista trouxe, até certo ponto, benefícios aos “bárbaros” do Novo Mundo. Restall mostra como os nativos foram resistentes à dominação, e o quantose adaptaram à presença espanhola, barganhando e tecendo estratégias de assimilação e sobrevivência; mostra uma perspectiva  completamente diferente da passividade que outros autores, em outras épocas, ressaltaram: a de uma dinâmica entre povos muito diferente da clássica dinâmica entre “conquistadores e conquistados”, “vencedores e perdedores”. Mostra, portanto, que tal conquista nunca foi completa.

Este livro deve ser lido por qualquer historiador, mesmo que tais temas nada tenham a ver com as áreas de interesse do mesmo. Ainda que seja, em parte, uma compilação de trabalhos anteriores, tal obra é de valor inestimável, não apenas ao derrubar mitos da conquista por terra, mas mostrar aos mais desatentos as armadilhas da interpretação de fontes e relatos, do esmero que deve ser dispensado ao trabalhar com relatos, e de como é possível desconstruir discursos arraigados e tomados como verdade absoluta na historiografia. Obrigatório.

Preço médio: R$ 39,90

27 de março de 2011

Peter Burke - Hibridismo cultural

BURKE, Peter. Hibridismo cultural. São Leopoldo; Editora Unisinos, 2008.


Em um mundo onde os termos “globalização” ou “mundialização” nos batem à porta com elevada frequência, questões acerca de encontros culturais, nos mais diversos cantos do globo, são mais do que pertinentes. Neste caso, poucos seriam mais gabaritados a tratarem do assunto do que Peter Burke. Em Hibridismo cultural, Burke trata das questões acerca das trocas culturais, as quais vemos todos os dias mas muitas vezes sequer percebemos.

Na obra em questão, Burke não tenta glorificar o hibridismo cultural, que a intitula, tampouco tenta ser seu detrator. Reservando-se apenas à função de analisar o tema, Burke faz uso de uma miríade de autores, de historiadores a antropólogos, que trabalharam com o tema em outras oportunidades, condensando muitas de suas argumentações. Novamente a admiração de Burke por Gilberto Freyre é escancarada, sendo o brasileiro um dos autores com os quais Burke dialoga em Hibridismo cultural.

Em sua análise a respeito dos intercâmbios culturais, Burke separa muito bem os pontos a serem tratados individualmente. Após uma elucidativa introdução, o autor prossegue a discussão analisando a priori os objetos. A língua, a música, a iconografia... A miríade de objetos sob os quais um olhar pode ser lançado com o objetivo de se analisar as trocas culturais é vasta, assim como as terminologias a serem usadas por quem os analisa. As variedades de reações causadas por esses contato cultural e algumas das situações que mais permitem as trocas são, também, discutidas pelo autor. Assim como outro autores no passado – como Mikhail Bakhtin e Carlo Ginzburg –, Burke trabalha com a idéia de circularidade cultural. Assim como uma cultura pode ser passada de uma população para outra (apenas um exemplo), um objeto (por exemplo, a iconografia presente nas peças de porcelana, tal qual Burke cita no livro) pode ser associada, modificada pelas particularidades locais, sejam elas semelhantes às particularidades originais ou não, e acabar voltando ao ponto de origem, influenciando a cultura da qual saiu por conta de seus novos atributos, inseridos pela cultura que a recebeu.

Trata-se de um livro pequeno, que pode ser facilmente lido em uma única tarde. Como sempre, os textos de Burke fluem facilmente e todas as argumentações são apresentadas com extrema clareza. É uma excelente obra para qualquer historiador, antropólogo ou sociólogo interessado no assunto, e pode servir de ponto de partida; sua leitura facilita a compreensão dos autores citados no texto, com os supracitados Ginzburg e Bakhtin. Altamente recomendado.

Preço médio: R$ 15,00

LEIA TAMBÉM, DO MESMO AUTOR:
Testemunha ocular
A escola dos Annales

8 de fevereiro de 2011

Maria Izilda de Santos Matos - Âncora de Emoções

ESTA RESENHA FOI ESCRITA POR FABIO ANTONIO COSTA

MATOS, Maria Izilda de Santos. Âncora de Emoções: Corpos, subjetividades e sensibilidades. São Paulo: EDUSC. 2005.



SOBRE A AUTORA

Maria Izilda Santos de Matos possui uma extensa vida acadêmica, sendo graduada em História pela USP no fim dos anos de 1970, posteriormente seguindo nos cursos de Pós-Graduação na década seguinte, produziu também importantes obras e ministrou várias exposições. Atualmente, leciona para conceituadas faculdades de São Paulo e também em outros estados.

ÂNCORA DE EMOÇÕES
Publicada em 2005 pela editora EDUSC, o livro Âncora de Emoções pode ser dividido em duas partes principais, que segundo a autora, são originárias de outros dois projetos anteriores.
No início da obra, MATOS discorre sobre as inúmeras possibilidades que os Historiadores ou estudiosos da área têm em seu leque de opções, como a aprendizagem proporcionada pela música (p. 30) que pode discorrer acerca da própria cultura e como é o grau de penetração dessa em nossa sociedade, por ela também é apresentado outros recursos, como cinema, teatro ou publicidade, típicos da multidisciplinaridade da História (p. 18).

A “padronização da sociedade” pela burguesia emergente do início da República que se instalava no Brasil, ou mais especificamente o homem visto como o de “padrão universal” (p. 24) são influenciador e influência para alguns discursos, destaca-se aqui o reproduzido pela medicina ou pelas músicas que circulavam nas noites dos anos de 1940/50 na antiga capital do Brasil, que moldavam a visão da sociedade para as mulheres, sempre procurando moldar a imagem da mulher em relação ao homem, em exemplos como a diferença de discurso dos médicos quando homens e mulheres tinham enfermidades semelhantes (p. 33) ou quando a própria é usada para manter a hegemonia masculina. MATOS pontua acerca da finitude das hierarquias, em especial a masculina (p. 25), que ao acontecer fragiliza o movimento que esta sociedade tende a seguir, mas que por outro lado, revelam facetas pouco exploradas, como a invisibilidade da esfera feminina e o “adestramento” do corpo das mulheres em um passado não muito distante.

Impulsionada pela expansão do café principalmente no período que vai de 1890 até 1930, a cidade de São Paulo sofreu uma vertiginosa mudança em sua sociedade, neste aspecto acompanhou mudanças, que se não criadas foram minimamente aceleradas. Neste contexto a Igreja, Estado e Medicina disciplinam a sociedade (p. 58), e como o discurso de definição de papéis, em que cabe ao homem o papel de “provedor” e da mulher o papel da “maternidade”, a Medicina impunha seu discurso, mesmo que de modo não unificado, e muitas vezes, divergente (p. 46).

Nestes discursos médicos baseados no Cientificismo, ao homem ficaria o espaço público, onde ele deveria trabalhar e sustentar a família, e seguindo todas as obrigatoriedades que teria que fazer como não se entregar a ociosidade e mesmo em uma época de grandes agitações como as greves de 1917, ele deveria manter-se em atividade, pois o padrão de masculinidade estava no trabalho (p. 69), o álcool também não era bem visto, pois poderia ferir o papel do “homem-padrão”.

Cabia a mulher uma função mais vinculada a ideia de afazeres domésticos, não sendo bem vistas na sociedade posições contrárias a esta. Sua função reprodutora era o viés de suas atribuições como seu útero e seu ovário “que a definem melhor” (p. 53), a profissão de Amas-de-leite e o fim da vida sexual após a fase fértil da vida eram recomendações da esfera pública “masculina” que nitidamente, alcançavam a esfera privada “feminina”.

Em Copacabana dos anos de 1930 até 1950, em um clima de tensão entre o tradicional e o novo (p. 99), MATOS explora a biografia de quatro importantes artistas do cenário musical brasileiro; Antonio Maria (Recife, 1921-1964), Dolores Duran (Rio de Janeiro, 1930-1959), Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 1914-1974) e Vicente Celestino (Rio de Janeiro, 1894-1968). Em comum entre estes emblemáticos artistas, é sentida em suas obras a “troca” de experiências e sensações entre o público e os autores (p. 92), face ao glamour da sociedade que a época proporcionava a Copacabana.

Nestes artistas, especialmente Antonio Maria e Dolores Duran, o centro da atenção era o amor, sempre sofrido, difícil e triste (p. 107, 151) e a partir disso, MATOS concluiu que os papéis dos gêneros – masculino e feminino – nesta sociedade eram moldados. A ideia do autoritarismo nas letras (p. 138) e a positivação do masculino frente ao feminino (p. 156) demonstram as obrigações que eram impostas em um dos vários meios de comunicação de massa, às pessoas que participavam dessa sociedade. Sem ausentar, por outro viés, a própria história de vida dos mencionados artistas que acarretam suas personalidades em suas obras.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Âncora de Emoções traz a luz novas formas de investigação, quais sejam, as proporcionadas nesta obra, sendo a partir da contribuição das músicas e os discursos médicos, o entrelaçamento dos discursos da cidade de São Paulo do início do período republicano do Brasil embora temporal e espacialmente distante da cidade do Rio de Janeiro que compreende os anos de 1930 até 1950, e é assumida como no caso das músicas da antiga capital do Brasil.

Compreender e chegar-se a tal conclusão nesses novos campos de investigação é uma das importantes contribuições que Maria Izilda Santos de Matos faz em sua obra, pois a discussão de gênero como o discurso do gênero masculino para dominação do gênero feminino presente na ciência médica da cidade de São Paulo alcança e é assumida em algumas mídias décadas depois na cidade do Rio de Janeiro, principalmente Copacabana, considerada a high society da época. Este entrelaçamento, que antigamente não seria possível de se compreender, é em Âncora de Emoções elucidado, pois o mesmo discurso normatizador encontrado em São Paulo é reconstruído no Rio de Janeiro, e quem saísse em ambas às sociedades destes discursos que buscavam separar as funções sociais e do lar para homens e mulheres, portanto uma discussão de gênero estaria fora dos padrões, sendo considerado um “desviado” de sua função original.

O discurso de determinados grupos, como o burguês, religioso, masculino ou cientifico, que são absorvidos por variadas camadas da sociedade, como no caso dos próprios lares que receberem tais discursos ou de cantores como a própria Dolores Duran, que carregava nas letras de suas músicas muito da essência dos discursos médicos de São Paulo das décadas anteriores, são introjetados de tal modo, que os próprios receptores de tais discursos são, em certo ponto, propagadores dos mesmos discursos.

Em suma; um dos objetivos da obra, que é estabelecer a discussão de gênero entre o masculino e o feminino e acerca de duas sociedades diferentes no tempo e espaço, mostra-se muito elucidador, pois, os próprios papéis dos gêneros masculino e feminino que nestas sociedades pelos discursos estavam moldados em funções aparentemente biológicas, obedeciam a interesses que buscavam manter posições de determinados grupos nestas importantes sociedades do Sudeste Brasileiro, sendo de maneira aparentemente vinculada a um padrão mais tradicional, e de certa maneira bem recebido pelos participantes destas sociedades, mas brilhantemente elucidado na obra de Maria Izilda Santos de Matos.

Preço médio: R$ 40,00

1 de janeiro de 2011

Miranda Twiss - Os mais perversos da história

TWISS, Miranda. Os mais perversos da história. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2005.


O mal, independente das implicações e até mesmo das subjetividades da palavra, de acordo com o contexto cultural e outras questões, é algo que curiosamente desperta interesse em muitas pessoas. Os motivos podem ser dos mais diversos; desde o simples aprendizado ao entretenimento ou até mesmo admiração, a maldade dos indivíduos chama a atenção e causa tanto espanto quanto curiosidade. E é justamente essa curiosidade – ou qualquer outro motivo citado ou não citado – que é aguçada pela leitura da presente obra, Os mais perversos da história.

Miranda Twiss, que é formada em história e inglês pelo Goldsmith’s College, da Universidade de Londres, reservou nesse livro espaço para os homens e mulheres que julgou os mais perversos da história. Percebe-se logo de início, ao ler o índice, que a maioria das pessoas citadas foram governantes ou possuíam prestígio político, e não necessariamente cometeram diversos assassinatos pessoalmente. Contudo, foram responsáveis, sejam por ordens diretas ou por suas políticas, pela morte de muitas pessoas. Em alguns casos, nem mesmo um número aproximado de mortes é possível.


Os personagens são apresentados de forma cronológica, começando por dois imperadores romanos: Calígula e Nero. Explorando a megalomania e as extravagâncias de ambos, Miranda Twiss apresenta alguns dos acontecimentos mais bizarros relacionados a essas figuras. O mesmo se repetirá no decorrer do livro.


Em seguida, a autora passa por Átila, o Huno, ressaltando o medo que o “flagelo de Deus” impunha aos seus inimigos, e passando para o Rei João, da Inglaterra. Adiante, Twiss fala sobre Tomás de Torquemada, o inquisidor mais implacável da história da Inquisição Espanhola, e passa a tratar posteriormente sobre Vlad Tepes, o empalador, príncipe da Valáquia, na atual Romênia e inspirador de Drácula, um dos mais famosos personagens da literatura em todos os tempos.


Indo para a conquista das Américas, a autora fala sobre Francisco Pizarro, conquistador dos Incas, relatando sua luta contra Atahualpa, um dos dois governantes do então dividido império e algumas das atrocidades dos espanhóis no continente. Em seguida, três governantes são tratados: Maria Tudor e a eliminação de centenas de protestantes, Ivã IV, também conhecido como Ivã, o Terrível e Elizabeth, condessa de Bathory, que entre outros epítetos, é também chamada de “condessa sanguinária”, possivelmente responsável, segundo muitos relatos, por mais de seiscentas mortes, pessoalmente ou com ajuda de seus capangas.


A seguir, dois capítulos dedicados à Rússia/União Soviética: Raspútin e Joseph Stalin. O primeiro, um monge cercado de mistério que influenciara o czar e sua esposa ao ponto de manipular o governo russo; o segundo, o oportunista ditador soviético responsável talvez pelo maior número de mortes já creditadas a um governante, ao menos recentemente.


Em seguida, é apresentado o mais conhecido de todos: Adolf Hitler. Sem fugir do período da Segunda Guerra Mundial, temos Ilse Koch, a “cadela de Buschenwald”, responsável pela tortura e morte de um grande número de prisioneiros neste campo de concentração, onde ordenava a retirada de suas peles para a confecção de abajures e outro itens. Por fim, Miranda trata sobre Pol Pot, um dos maiores genocidas do século XX e a desgraça social, econômica e cultural que este trouxe ao Camboja, e Idi Amin, o megalomaníaco ditador ugandense.


Para cada um dos indivíduos, Miranda Twiss trabalhou com uma média de três a cinco livros. Nenhuma fonte primária foi utilizada; Twiss limitou-se a fazer uma revisão bibliográfica de cada um dos personagens trabalhados. Fica claro que em cada um dos casos, o que a autora se propôs a fazer foi um artigo, baseado em alguns livros, fazendo uma história descritiva de cada um. Não há nenhuma grande problematização nos capítulos, mas felizmente a autora se preocupa em apontar que alguns relatos e conhecimentos acerca do indivíduo se misturam com lendas e relatos fantasiosos sobre seus feitos. Por fim, vale citar que alguns dos méritos destes personagens como governantes foram ressaltados, o que em nenhum momento toma destaque ou serve de justificativa para suas atitudes.


É um livro de leitura muito simples, rápida e instigante. É uma leitura agradável para entusiastas em história, ideal para despertar interesse em assuntos relativos aos indivíduos tratados (como suas políticas, as teorias que guiaram seus ideais, etc), mas seu conteúdo, por si só, pode ser considerado pobre academicamente. Os livros indicados na bibliografia para cada caso, embora todos em inglês, são mais recomendados a quem se interessar e tiver condições de lê-los.

Preço médio: R$ 45,90.

30 de dezembro de 2010

Sérgio Buarque de Holanda - Raízes do Brasil

Esta resenha foi escrita por Fábio Antonio Costa

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil; organização de Ricardo Benzaquem de Araújo; Lilia Moritz Schwarcz. Edição revisada. São Paulo: Companhia das Letras. 2006. Capa dura.

Lançada em comemoração aos 70 anos da primeira edição de Raízes do Brasil, está obra é dividida em duas partes, a primeira com o texto de Raízes do Brasil, próximo ao meio um acervo de fotos de Sérgio Buarque de Holanda e na segunda metade artigos de estudiosos no autor e sua obra.

Nos dois prefácios iniciais do livro[1] Holanda fala das mudanças que ele introduz na segunda edição (como a mudança do título Semeador e Ladrilhador) e no segundo prefácio as mudanças como o índice onomástico e o debate com Cassiano Ricardo. No primeiro capítulo do livro (Fronteiras da Europa) inicia-se com um estudo profundo do reino português e suas peculiares características, como um “território-ponte” descarregado do europeísmo de outras nações. Algumas características particulares são destacadas como próprias dos dois reinos ibéricos. Conceitos como a Cultura da Personalidade, as divisões entre as classes sociais menos rígidas como em outras partes, o conceito ócio/negócio, as precárias idéias de solidariedade e do conceito de cultura, que segundo Holanda só absorve outras que lhe convém, são apresentadas como algumas das várias características dos povos espanhóis e portugueses.

No capitulo 2 (Trabalho e Cultura) são discutidos dois aspectos do Brasil colonial; a valorização da figura do aventureiro (vinculada a idéia do português colonizador) e o oposto a figura do trabalhador. A partir do imaginário existente em Portugal, onde o trabalho não era bem visto na sociedade, como o próprio trabalho agrícola pouco valorizado na terra de El-rei pelas poucas almas lá presentes, ao contrário do Brasil, onde a maioria se constituía de negros e escravos. O capítulo finaliza com a influência holandesa no Recife (batizada de Nova Holanda) e a dificuldade dos Batavos de se adaptarem ao novo clima e habitantes.

Idéia próxima do capítulo anterior, neste (Herança Cultural) Holanda centraliza acerca das heranças adquiridas do Brasil por Portugal. Destarte, o destaque é a dicotomia cidade/campo, com a cidade (pobre) sendo apenas um anexo das atividades do campo (rico), destacando assim o poder do senhor rural. A escravidão no Império tinha um importante papel como fonte econômica do império. O fim do tráfico negreiro em 1850 obriga a mudança na economia brasileira por vias do capitalismo em sua modernização, como na construção da primeira estrada de ferro no Brasil (Mauá-Fragoso).

A separação entre Portugueses e Espanhóis é o tema central do quarto capítulo (O Semeador e o Ladrilhador). Aos Espanhóis (ladrilhadores) sobre as ordens do exclusivismo castelhano existia a ideia de uma linha reta (que ordenaria o mundo conquistado) e mais rígida que seus vizinhos da península. Em Portugal desde sua chegada a América, aproveitando-se da população indígena existente no litoral fazia pouco tempo e de baixa variação lingüística, os lusos em geral apenas partiam de um centro para construírem suas casas conforme o capricho dos moradores, assim como as mudanças costumeiras no reino Português. As bandeiras, a partir dos conceitos anteriores forneceram a silhueta posterior do Brasil.

A cordialidade dos Brasileiros é à base do capítulo 5 (Homem Cordial), nele Holanda discorre acerca das características dos Brasileiros, como a inhaeza no trato, hospitalidade, generosidade, apego aos diminutivos etc. Nos relatos posteriores do capítulo, como do estrangeiro da Filadélfia, em que os Brasileiros têm que serem amigos para negociar ou o interesse maior nos festejos que mesmo nos cultos reforçam a ideia do homem cordial.

O capítulo seguinte (Novos Tempos) alude sobre os rumos do Brasil naquela época. O título de doutor trazia “imunidade” e poder ao seu proprietário. Os positivistas considerados por Holanda “como uma raça que deu certo no Brasil” e a mudança da Monarquia para a República vinda de cima e na famosa descrição de Aristides Lobo enfatizam a ideia.

Um paralelo de idéias com o capítulo anterior é o tema do último capítulo de Raízes do Brasil (Nossa Revolução) com destaque ao Império Brasileiro. Com o fim da escravidão no Brasil acarretam-se outras mudanças, como a troca do engenho pela usina e uma maior democracia a partir do café, centros urbanos desestabilizando o arcaico sistema ultramarino e nossa curiosa participação na Guerra do Paraguai, mas por força que motivação dos participantes.

Na segunda parte do livro iniciam-se as homenagens acerca dos 70 anos de Raízes do Brasil, começando por fotos da vida de Holanda desde sua infância até próximo ao seu falecimento.

Antonio Candido (O Significado de Raízes do Brasil, 1967) compara a obra Raízes do Brasil com dois outros clássicos; Casa Grande & Senzala (Gilberto Freyre) e Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Jr.), atribuindo um caráter de maior importância ao escravo na primeira obra e marxista na segunda, disserta também como a direita Brasileira rejeita as obras nos primeiros momentos e finaliza com a ideia do contraste de impedir o dogmatismo, algo típico de Raízes do Brasil. Em 1986, Candido reescreve após Raízes de o Brasil completar 50 anos e enfatiza seu caráter popular. Alexandre Eulálio (Antes de tudo um escritor, 1986) faz uma leitura bibliográfica de Holanda, e destaca sua estadia na Alemanha, a faculdade Direito que Holanda cursou no Rio de Janeiro e a produção do texto Corpo e Alma do Brasil, que originou Raízes do Brasil. Evaldo Cabral de Mello traz importantes considerações como a influência da teoria da América, Weber, a sociologia alemã expressas em Raízes do Brasil e a obra Visão do Paraíso ser a pioneira da história das mentalidades no Brasil. Boliar Lamounier (Sérgio Buarque de Holanda e os grilhões do passado, 2006) enfoca a teoria culturalista de Raízes do Brasil, a clareza dos diagnósticos e entre outros, a flexibilidade do Portugal medieval, origem possível de um Brasil flexível. Antonio Arnoni Prado (No roteiro de Raízes, 2006) elucida a critica do Holanda aos modernistas e a visão do novo que Raízes do Brasil proporcionam ao leitor. Pedro Meira Monteiro (Buscando a América, 2006) centraliza-se na temporada alemã de Holanda. Robert Wegner (Um ensaio entre o passado e o futuro, 2006) disserta sobre a relação de Holanda e Gilberto Freyre, as aulas de Friedrich Meineche que Holanda assistiu e seu curso de Direito após a publicação de Raízes do Brasil. Uma das partes mais polêmicas do livro está na carta de Cassiano Ricardo (Variações do Homem Cordial, 1948), nela Ricardo disserta o conceito de Homem Cordial de Holanda profundamente, como a própria critica a este conceito e as mudanças feitas pelo próprio Holanda em Raízes do Brasil original, a ideia do Brasileiro conciliador e a inexistência do racismo no Brasil. Holanda no mesmo ano produz uma resposta (Carta a Cassiano Ricardo, 1948) em que chama de “interessantes” as considerações a Ricardo, faz uma discussão de bondade, refuta das fontes confusas de Ricardo e afirma que os Brasileiros não são piores ou melhores que qualquer outro povo. Rui Ribeiro Couto (El Hombre Cordiale, 1931) é a referência de Holanda do conceito de cordialismo, que segundo Couto é a contribuição latino-americana ao mundo da aventura Celtibérica. Corpo e Alma do Brasil, de 1935, é publicada na integra e a obra finaliza com uma detalhada cronologia de Holanda por Maria Amélia Buarque de Holanda ( produzida em 1979) e das muitas informações destacam-se a infância de Holanda na rua Higienópolis, suas andanças aos cinemas no centro de São Paulo, a amizade com Oswald e Mário de Andrade, sua vida movimentada nos bares e seu retorno ao Brasil da Alemanha em 1930.

Preço médio: R$ 30,00

[1] O primeiro de 1947 e o segundo de 1945 respectivamente

16 de dezembro de 2010

Hernando Calvo Ospina - O terrorismo de Estado na Colômbia


OSPINA, Hernando Calvo. O terrorismo de Estado na Colômbia. Florianópolis: Insular, 2010.

Lançado no Brasil após longas polêmicas, por ter seu lançamento vetado na Editora da UFSC e sendo lançado pela Editora Insular meses depois, o livro O Terrorismo de Estado na Colômbia é uma obra de vital importância para se entender a conjuntura política deste país, e abre os olhos para entender diversas outras questões contemporâneas, como por exemplo, suas relações conturbadas com a vizinha Venezuela.

Hernando Calvo Ospina é um jornalista colombiano, refugiado político na França. Atualmente trabalha no jornal Le Monde Diplomatique, e não pode voltar a seu país, por conta das ameaças de morte que recebeu.

O livro trata dos primórdios da criação do estado colombiano, desde a luta de Símon Bolívar pela criação da “Gran Colômbia”, um estado que abarcaria várias das atuais nações da atual América Latina. E mostra que Bolívar estava certo quando, em 1828, afirmou que os Estados Unidos estavam fadados a trazer a miséria à America Latina. Foi de grande interesse das oligarquias colombianas, durante muito tempo, a interferência estadunidense no país, pois esta se mostrava vantajosa aos seus negócios.

O estado colombiano, segundo Ospina, possui uma espécie de “ditadura perfeita”, onde o terrorismo de estado atua. Nele, a democracia se mostra apenas teórica, pois movimentos sociais, sindicais e estudantis são reprimidos violentamente, geralmente com a eliminação de seus líderes. Diz-se, na Colômbia, que é mais fácil montar uma guerrilha do que um sindicato, pois os líderes dos movimentos costumam ser assassinados no dia seguinte. Toda a violência, diga-se de passagem, é apoiada pela Igreja Católica. Em relação a isso, o livro é bastante didático quanto ao surgimento das guerrilhas, pontuadas como necessárias para a sobrevivência daqueles que ousam resistir ao violento estado colombiano e suas imposições. Entre 1946 e 1958, estima-se que mais de trezentos mil liberais gaitanistas teriam sido assassinados. Inspirados em Jorge Eliécer Gaitán, um político anti-imperialista e populista que fora assassinado antes que pudesse se eleger, causando a ira de milhares, senão milhões de colombianos. Entre estes grupos guerrilheiros, nascia posteriormente, na década de 1960, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, mais conhecidas como FARC.

Podemos dizer que uma das principais contribuições do livro está nas diversas demonstrações da interferência estadunidense na América Latina desde o século XIX. A Agência Central de Inteligência (CIA), como já comprovado por documentos e relatos no decorrer dos anos, foi responsável pela inserção da Ideologia de Segurança Nacional na América Latina, resultando nas ditaduras que oprimiram suas nações. No entanto, a Colômbia mostrou-se um caso diferenciado; tamanha era a repressão estatal e o controle dos militares sob o povo que, mesmo a doutrina da Segurança Nacional fazendo parte da realidade colombiana, não houve a necessidade de um golpe militar, haja vista que os militares já possuíam enorme poder.

O governo, impossibilitado de agir a bel-prazer por conta de pressão internacional, viu como alternativa para seus problemas a criação de grupos paramilitares. O livro é enfático quanto ao apoio estatal aos grupos – embora o Estado convenientemente negue qualquer filiação a esses grupos e se diga perseguidor dos mesmos – e sobre o apoio que os paramilitares recebem de latifundiários, narcotraficantes, etc. Explicita também que o governo possui relações íntimas com os traficantes de cocaína no país; não é a toa que o agora ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, possuía relações com Pablo Escobar, narcotraficante conhecido mundialmente. Os exemplos dessa relação são diversos.

Ospina mostra um Estado que oprime o povo, limita sua liberdade, é subserviente à influência estadunidense, aplica a ideologia de Segurança Nacional, buscando inimigos internos, geralmente inexistentes, manipula eleições para beneficiar os liberais e conservadores (nomenclaturas diferentes que não mudavam o fato de ambas agirem da mesma forma), tortura dissidentes, mata povoados inteiros por questões de interesse político e econômico, elimina políticos populistas e anti-imperialistas que eventualmente tenham apoio da população ou tentem reformas; tudo com a ajuda dos Estados Unidos da América, que desde muito tempo tenta impor sua vontade aos países que julga inferiores como a soberana.

O livro possui uma linguagem fácil, mas a quantidade de informações dadas, a repetição de algumas questões, a pouca problematização – levamos em conta que o livro foi escrito por um jornalista, que possui uma metodologia diferente dos historiadores – e a eventualidade de uma não-familiaridade com a história da Colômbia por parte do leitor pode tornar a leitura do livro maçante, caso o mesmo não possua grande interesse no assunto. Altamente recomendado para quem se interessa pela história da América Latina e por aqueles que se interessam em estudar os impactos do imperialismo estadunidense no mundo, já que estuda uma caso bem específico. Entretanto, possivelmente não agradaria a leitores casuais.

Preço médio: R$ 45,00

15 de dezembro de 2010

Edward P. Thompson - A formação da classe operária Inglesa

Esta resenha foi escrita por Fabio Antônio Costa, pós-graduando da PUC-SP.

THOMPSON, Edward Palmer. A Formação da Classe Operária Inglesa: A Árvore da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1987.

INTRODUÇÃO

Nesta resenha, estou abordando um tema que me é de grande importância e que aos poucos tenho introduzido, qual seja, o movimento sindical. Neste livro, pude aprofundar e confirmar como é importante compreender a participação de grupos específicos de nossas sociedades como a classe operária Inglesa. Tirar do silêncio vozes obscurecidas, essas, portanto tão pouco valorizadas pelos meios de comunicação, mas tão profundamente elucidadas em vozes como a do historiador Edward Thompson, são alguns dos nortes deste presente estudo.

SOBRE O AUTOR

Edward Palmer Thompson (1924-1993), natural de Oxford, Inglaterra, foi um ativo Historiador com envolvimento prático e teórico de cinco décadas no cenário britânico e mundial. Autor de vários livros e com destaque para sua obra máxima “A Formação da Classe Operária Inglesa”. Thompson, contemporâneo de outros historiadores do chamado “Marxismo Inglês” como Eric Hobsbawn, Rodney Hilton e Christopher Hill tiveram papel marcante no Partido Comunista Inglês. Thompson teve também atuação no Movimento Popular da Inglaterra na época da Segunda Grande Guerra (1939-1945), tendo também participado diretamente nessa guerra. Abandonou o Partido Comunista em 1956, participou da construção de ferrovias na Iugoslávia, ministrou aulas para operários e na década de 1980 atuou como pacifista antinuclear e em seus derradeiros anos de vida, atuou em universidades nos Estados Unidos e Inglaterra.

A experiência acumulada de sua participação agitada nestes eventos pode ser sentida em suas obras, como a sua costumeira preocupação nas causas populares, assim como em sua própria conduta pessoal.

A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA INGLESA

O livro de Thompson, A Formação da Classe Operária Inglesa: A Árvore da Liberdade é o primeiro tomo da série que apresenta mais dois volumes; A Maldição de Adão e A Força dos Trabalhadores. No Brasil a primeira edição do primeiro tomo é de 1987 e foi lançada pela aclamada editora Paz e Terra, respeitada pelo seu leque de livros acadêmicos.

Traduzido a partir do original The Making of the English Working Class de 1963, Thompson destacou como um livro que não tinha como alvo principal o universo acadêmico, e sim para pessoas comuns, como os operários que ele lecionava nos anos de 1960.

Destarte, neste primeiro tomo (Árvore da Liberdade), que é dividido em cinco partes, o autor no prefácio faz um esclarecimento acerca da categoria de classe operária, especialmente a Inglesa com as suas características que a diferenciam de outras como a Escocesa. Enfatiza que a classe operária Inglesa não é “coisa” e sim “relação” e com herança de sua própria história, também é destacado uma utilidade acerca de sua obra; qual seja resgatar os excluídos (até então) da História, como o tecelão de malhas ou o artesão utópico.

No primeiro capítulo desta obra (Número Ilimitado de Trabalhadores), o Historiador Inglês aprofunda sobre as origens do movimento operário Inglês, como a SLC[1] que segundo seus estudos é a primeira organização política operária da Inglaterra. Anteriormente, existiam algumas formas de organização desde a Guerra Americana[2], Mas seu papel mais destacado vem da influência dos Jacobinos da Revolução Francesa[3]. A alta dos preços dos produtos, os castigos dado aos traidores (p. 17) e a falta de status dos soldados são outros pontos levantados por Thompson que acastelam a formação dos operários Ingleses.

No segundo capítulo (O Cristão e o Demônio) é debatida a influência de algumas religiões protestantes. São religiões que encontram espaço entre homens humildes e que reúne segundo relatos até oitenta mil participantes. É destacado o Puritanismo influenciado pelos “ideais Iluministas”, que segundo Thompson, tem a capacidade de “positivar” os operários na luta maquineista comum entre o demônio com o mundo real. O Metodismo tem também um importante grau de penetração na massa operária, sendo influenciada e influenciadora da “democracia, disciplina, doutrina e emotividade” (p. 38).

No tocante ao terceiro capítulo (As Fortalezas de Satanás), destaca-se o papel dos motins e das turbas, e desta última o estudo é mais aprofundado. A turba, que entre outros conceitualizações, tem a sua função frente ao movimento operário mais vinculado ao pagamento de seus soldos que mesmo aos sentimentos de reivindicação. Com a entrada efetiva da Revolução Industrial na sociedade Inglesa, sua população é cada vez mais explorada e “ofendida”, e uma dessas ofensas pode ser compreendida na ideologia da “maior ofensa da propriedade privada é não ter propriedade”. Nas décadas de 1760 e 1770 na Inglaterra Industrial, o povo Londrino organiza-se melhor, como nos relatos de turbas que controlavam os preços dos produtos de modo mais “pacífico”.

No quarto capítulo (O Inglês Livre de Nascimento), Thompson enfatiza sobre as origens dos Ingleses, e um profundo questionamento acerca das diferenças de vida dos Monarcas e Aristocratas perante o sofrido povo Inglês, sendo este último considerado o produtor de 99% da riqueza, e o primeiro o “grupo parasitário”. O texto Direitos do Homem tem destaque por Thompson, nele fica evidenciado os efeitos da Revolução Francesa. Pouco percebido a função dos Monarcas pelo povo antes circulação do texto Direitos do Homem, estas diferenças ficam, portanto, mais nítidas devido ao caráter humanista deste famoso texto. A própria ideia de motim, originária do tempo da Revolução Gloriosa (1688), faz referência à origem Inglesa, assim como a criação de uniões de organizações de natureza sindical (Trade Unions) ser uma tendência presente desde 1720 na Inglaterra (Coggiola, p. 47).

O autor finaliza esse primeiro tomo da série com o capítulo (Plantando a Árvore da Liberdade). A ênfase desse capítulo está na relação da Revolução Francesa na Inglaterra Industrial, esta inclinação é sentida nos Jacobinos Ingleses, que se não são originários dos Jacobinos Franceses, tem sua ideologia em seus meios sociais.

As sociedades operárias Inglesas apresentam intensa agitação até 1794, com manifestações girando em torno de duzentas mil pessoas. Desta imensa multidão (p. 144) temos propostas ousadas, como educação política aos trabalhadores e o crescimento da participação da população assalariada nos movimentos. Ademais, de 1794 em diante o movimento operariado é fortemente reprimido pela elite Inglesa, perdendo seu centro nacional (p. 154) tradicionalmente instalado em cidades industriais como Londres, Sheffield e Norwich.

Em 1796, com aproximadamente quatro anos de experiência no movimento operário, a classe amadurece, inclusive “suspeitando da ameaça” dos revolucionários Franceses (conhecidos como o perigo que vem do sul).

Em 1811, é iniciado um novo sindicalismo, que diferente dos outros sindicalismos Europeus, teve a experiência da “contra revolução Inglesa”, que nasce no berço do crescimento da própria Revolução Industrial, e que segundo se afirmava na época, era próprio de um país em que até as “velhinhas deveriam falar de política”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A obra de Edward Thompson representa um marco e uma importante reflexão acerca da agitada sociedade Inglesa Industrial do final do século 18º.

Um de seus esforços está em conceitualizar às particularidades do movimento operário Inglês, principalmente ao período que vai de 1790 até 1800, concentrada nos velhos centros industriais Ingleses. Muito influenciado pela Revolução Francesa, mas sem perder parte de suas origens Inglesas, como nas indicações da Revolução Gloriosa e nas próprias características Inglesas, o operariado retratado por Thompson busca a compreensão da sociedade vista pelas situações –conflituosas ou não – dos movimentos sindicalistas, e também na particularidade dos grupos em si, como os próprios movimentos, organizados em motins, turbas, associações etc. Não ficando a parte, as próprias fronteiras espaços-temporais que estas sociedades estão submetidas. A política, organização, dificuldades, glórias ou crimes desvelados por Thompson em sua obra máxima representam uma ruptura que segundo o próprio não era até então compreendida, ou baseada em uma historiografia menos ousada. Como diria Thompson, “Afinal de contas, nós mesmos não estamos no final da evolução social”.

BIBLIOGRAFIA

COGGIOLA, Osvaldo. As Classes “Perigosas”. In: HISTÓRIA VIVA, GRANDES TEMAS: IMPÉRIO BRITÂNICO. Nº 16. São Paulo: Duetto. 2008.

HOBSBAWN, Eric John Earnest. A Era das Revoluções: 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra. 1º reimpressão. 2010. 537 p.

THOMPSON, Edward Palmer. A Formação da Classe Operária Inglesa: A Árvore da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1987. 210 p.


[1] Sociedade Londrina de Correspondência.

[2] Também conhecida como Guerra da Secessão, disputada entre 1861 e 1865.

[3] Contemporânea da Revolução Industrial, ela durou de 1789 até 1799.



Preço médio: R$ 35,00

Para contato com o autor:
fabioantoniocosta@hotmail.com

30 de novembro de 2010

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Olá

Venho por meio desse post avisar apenas aos leitores deste blog que o motivo da ausência de uma nova resenha depois de ter publicado a última há tanto tempo se deve ao fato de que a faculdade está me matando. Prometo que em breve postarei uma resenha, e assim que o semestre acabar, tentarei colocar as leituras que me interessam em dia. Se vocês soubessem quantos livros aguardam na minha estante para serem lidos mas, por falta de tempo, tenho que deixar de lado...

Até breve.