Venho por meio desse post avisar apenas aos leitores deste blog que o motivo da ausência de uma nova resenha depois de ter publicado a última há tanto tempo se deve ao fato de que a faculdade está me matando. Prometo que em breve postarei uma resenha, e assim que o semestre acabar, tentarei colocar as leituras que me interessam em dia. Se vocês soubessem quantos livros aguardam na minha estante para serem lidos mas, por falta de tempo, tenho que deixar de lado...
30 de novembro de 2010
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Venho por meio desse post avisar apenas aos leitores deste blog que o motivo da ausência de uma nova resenha depois de ter publicado a última há tanto tempo se deve ao fato de que a faculdade está me matando. Prometo que em breve postarei uma resenha, e assim que o semestre acabar, tentarei colocar as leituras que me interessam em dia. Se vocês soubessem quantos livros aguardam na minha estante para serem lidos mas, por falta de tempo, tenho que deixar de lado...
2 de setembro de 2010
Paul Veyne - Como se escreve a história

O título, isoladamente, é um tanto desconfortável. Porém, o autor sabe exatamente sobre o que está tratando. Veyne expõe que a história é uma construção; as informações a serem historicizadas são recortadas por aquele responsável pelo relato. Assim, o historiador se torna o construtor de uma trama. A trama, da forma como é tecida, faz com que a história siga um ou outro viés, o que mostra que uma construção diferente de trama traria resultados distintos, baseados em relações de valores – estes relativos.
Aproximadamente dez anos depois de escrever a obra em questão, Veyne escreveu um ensaio chamado Foucault revoluciona a história. O ensaio é anexado ao livro; porém, sua linguagem é deveras intrincada, sendo recomendada apenas a leitores mais experientes.
Com exceção desse apêndice a respeito de Michel Foucault, a obra de Veyne poderia ser lida tranquilamente por qualquer entusiasta da história. É uma obra ideal para se iniciar qualquer debate a respeito de historiografia e cuja leitura é de suma importância para qualquer historiador, ainda que possa causar discordâncias.
Preço médio: R$ 36,00
17 de junho de 2010
Geraldo Pieroni - Banidos

O livro se divide em quatro partes principais. A primeira trata do tema em questão, dividia
Banidos é um livro que discorre exclusivamente sobre a questão do degredo no Brasil. Num caso de busca por temas adjacentes, como a atuação da Inquisição em nossas terras, outros autores apresentam trabalhos com melhores resultados. Talvez seu principal mérito é a forma resumida com a qual o tema é apresentado, ideal para iniciantes que queiram entender o funcionamento da pena do degredo. Contudo, para leitores mais experientes no assunto ou que tenham contato com as obras dos autores citados no início desta resenha, Banidos torna-se um livro muito restrito, e talvez pouco relevante. Pesa a seu favor a presença dos processos apresentados pelo autor na segunda parte do livro e pela lista de sobrenomes. Indicado apenas a quem busca compreender a questão do degredo.
12 de junho de 2010
Heinrich Kramer e James Sprenger - O martelo das feiticeiras

27 de março de 2010
Carlo Ginzburg - História noturna

O livro pode surpreender ao leitor desavisado. Embora possua o subtítulo “decifrando o sabá”, o livro discorre pouco sobre o tema. A maior parte do tempo, o autor está preocupado em descobrir as origens dos elementos que, convergidos, criaram os estereótipos da suposta reunião de bruxas. Em seu início, Ginzburg discute acerca de autores que já trataram o tema, apontando problemas e reducionismos em suas análises. Ao seguir, começa a lentamente entrar no tema.
Experiente como é, Carlo Ginzburg admite a impossibilidade de certas perguntas virem a ser respondidas. Ainda assim, arrisca-se a apontar suas suposições (sempre se embasando ao máximo). Eis o elemento mais encantador da obra.
Como dito anteriormente, quem busca uma detalhada descrição do sabá neste livro poderá decepcionar-se. Entretanto, se buscar entender alguns dos elementos presentes neste ritual, será contemplado com perspectivas que até então possivelmente não imaginava.
3 de fevereiro de 2010
Jacques Soustelle - Os astecas na véspera da conquista espanhola

Esta resenha foi escrita por Juliana Kick
SOUSTELLE, Jacques. Os astecas na véspera da conquista espanhola. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
O livro de Jacques Soustelle é composto por uma introdução, sete capítulos e um apêndice. De leitura fácil e simples, o autor aborda diversos aspectos da vida cotidiana dos astecas de maneira simples e abrangente, sendo de fácil compreensão a um leitor leigo. Ao decorrer de sua obra, o autor mostra como a complexa civilização asteca foi interrompida bruscamente com a conquista espanhola. Em sua análise da civilização asteca, o autor divide a sociedade em uma pirâmide social, onde o imperador estaria no topo do poder, seguido dos dignitários, negociantes, artesãos plebe e escravos. Essa divisão em camadas sociais que aparece principalmente no segundo capítulo "A Sociedade e o estado no início do século XVI", pode ser compreendida, afinal, Soustelle era um importante antropólogo e faz uso da análise do homem como um ser biológico, social e cultural em todo o seu livro.
Soustelle incorpora em sua obra certos anacronismos para esclarecer alguns pontos da civilização asteca. Utiliza títulos nobiliárquicos até então conhecidos somente na Europa para descrever os mexicas. Diferencia os dignitários de plebeus ao considerá-los a aristocracia asteca.
A pesquisa arqueológica é de grande importância na civilização asteca: cerâmicas, utensílios, armas, esculturas foram descobertos
Um dos pontos que mais se destacam na obra de Jacques Soustelle é a sua concepção de interrupção da civilização asteca. O autor demonstra grande pesar pela destruição da cultura dos mexicas, umas das mais ricas e importantes que o mundo já conheceu e aborda em algumas passagens a forma cruel e bárbara com que os espanhóis conquistaram os conquistaram.
O foco de seu livro é sem dúvida a vida cotidiana dos astecas. Dedica muitos capítulos expondo o comportamento dos mexicas na vida diária, como comiam, se vestiam, se relacionavam, sua higiene, roupas, acessórios, alimentação, ritos, infância, vida familiar e vários outros aspectos de sua vida. Dedica grande parte sua análise ao homem asteca comum, que trabalhava em obras públicas, em sua parcela terra, pagava impostos, casava seus filhos.
Preço Médio: R$ 36,00
24 de janeiro de 2010
Jacques Soustelle - A civilização Asteca

Esta resenha foi escrita por Juan Filipi Garces
SOUSTELLE, Jacques. A Civilização Asteca. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2002.
América pré-colombiana tem sido o tema que mais demonstro entusiasmo dentro da história, seja pelos Astecas, Maias ou Incas. Esse livro, como o título sugere, descreve as características básicas dos Astecas, sendo assim, não é um livro para pesquisas aprofundadas.
O livro é basicamente um resumo dessa civilização que ocupou boa parte do território mexicano. A divisão dos capítulos é um tanto simplória, classificados por temas específicos, como sociedade, governo e religião. O livro em si não segue uma linha cronológica, com exceção do primeiro capítulo, que redige como sucedeu a origem dessa civilização.
Muitos povos são citados, como os Olmecas e Toltecas e os chamados pós-toltecas, e desse ultimo, só alguns são necessários ser citados para o entendimento deste livro. Após uma guerra entre o estado de Texcoco, tendo Tenochtitlán como seu aliado, contra Azcapotzalco, no qual resultou na vitória dos dois estados aliados. A partir de então, formavam a Tríplice aliança, constituída por Tenochtitlán, Texcoco e por uma cidade pertecente a tribo de Azcapotzalco, Tlacopan. A tríplice aliança tornou-se o conhecido império asteca.
A sociedade era formada por algumas classes: povo (cidadãos normais), escravos (normalmente prisioneiros de guerra e usados como sacrifícios), artesãos, negociantes, dignitários e os sarcedotes, sendo que esses dois últimos eram considerados as classes dominantes. A aritmética asteca foi menos desenvolvida em comparação com os Maias, mas não menos importante. A data de nascimento de cada pessoa afirmaria qual profissão ela seguiria.
Assim como muitos povos antigos, faziam tributos aos seus deuses, de acordo com sua capacidade de produção, fauna e flora. Como foi citado antes, muitas vezes utilizavam escravos para sacrifícios humanos, e o guerreiro que conseguisse um número maior de escravos dos povos vizinhos era tratado com um respeito maior aos demais. Homens e mulheres com caráter jovial também eram utilizados para esses tipos de sacrifício.
Embora a arquitetura asteca fosse destruída em 1520, com a chegada dos espanhóis, pode-se ter uma idéia de como se era formada através de pinturas da época. A escultura, música e literatura merecem destaque, sendo basicamente representações religiosas.
O ultimo capítulo do livro conta de forma resumida como sucedeu a conquista desse povo, considerando como um dos fatores principais a sorte que Cortez teve em chegar ao solo mexicano no período em que, segundo a crença da religião asteca, o deus Quetzalcóatl retornaria, além dos equipamentos de guerra.
Muitos historiadores vão ter certo receio ao ler esse livro, pois não apresenta nota de rodapé, embora o autor faça uma lista de bibliografia no final. Acho relevante que o autor cita um manuscrito histórico asteca, o que poderia valorizar o conteúdo apresentado. A bibliografia é pouca, mas valiosa, além do autor respeitado quando trata-se de temas relacionados aos povos da América Latina.
Preço médio: 12,00
19 de janeiro de 2010
Michael Baigent & Richard Leigh - A Inquisição

Durante o tempo, os “adversários” que a Igreja teve que enfrentar foram diversos. Como se não bastasse a paranoia de caça às bruxas, a Igreja enxergava rivais e inimigos de sua doutrina nos protestantes, nos supostos místicos, na Maçonaria e até mesmo em governantes laicos. A ação do Santo Ofício em cada caso foi diferenciada, mas em todos eles dispensava sutilezas.
No início desta resenha, falava sobre a existência do Santo Ofício nos dias atuais. De fato, ele ainda vive, só que é atualmente conhecido pelo epíteto de “Congregação para a Doutrina da Fé”. Como os autores citam em certo trecho, uma “plástica” para tentar dissolver o desgaste obtido com a má imagem do órgão eclesiástico durante os séculos. O livro, que fora lançado originalmente em 1999, termina falando sobre o período do pontificado de João Paulo II. No entanto, o que mais me chamou a atenção é que um longo capítulo do livro, que leva o atual nome do Santo Ofício, fala sobre o Prefeito da Congregação. Com um certo tom denunciador, os autores apontam diversas incongruências de suas palavras e o caráter supostamente obsoleto de suas afirmações. Pinta-o de forma extremamente conservadora e radical. O interessante é que esse, na época Prefeito da Inquisição, era o Cardeal Ratzinger, que futuramente seria eleito como o Papa Benedito XVI (ou Bento XVI, como normalmente veiculado na mídia).
13 de janeiro de 2010
Nigel Cawthorne - A vida sexual dos papas

Era prática comum que os bispos possuíssem concubinas, por vezes esposas. Muitos papas cobravam uma taxação destes prelados para que estes as mantivessem, arrecadando grandes fortunas. Alguns pontífices tentaram impor o celibato, mas fracassavam ao perceber que isto aumentava drasticamente os casos de sodomia entre os prelados.
O incesto era uma prática comum. Por exemplo, o caso de Rodrigo Bórgia, o papa Alexandre VI: muito se falava sobre o caso incestuoso deste com sua filha Lucrecia Bórgia, e ele estava longe de ser o único. Papas que mantinham relações com irmãs e irmãos, mães, tias, não foram poucos. Simonia, subornos em sínodos, envenenamentos, infanticídios... Práticas que os papas não se faziam de rogados em praticar, se fosse para atingir seus objetivos.
O livro possui uma leitura leve. Sua linguagem não é rebuscada, e não se torna cansativa. O livro é totalmente ilustrado, e sua leitura é mais rápida do que se supõe. Contudo, é necessário criticar alguns pontos importantes, principalmente no que concerne aos aspectos acadêmicos.
O livro não possui uma única referência. Nenhuma nota, por consequência. Você passa todo o tempo sem saber a fonte dos fatos apresentados. Além disso, não usa nenhuma fonte primária, e sua bibliografia não é deveras extensa. No meio acadêmico, talvez não tivesse a maior das aceitações, e muitos historiadores torceriam o nariz para ele. Ainda assim, é uma leitura válida, principalmente para entusiastas e pessoas que levam á ferro e fogo a infalibilidade papal, pela possibilidade de suscitar o debate.
Preço médio: R$ 59,00
26 de dezembro de 2009
Venha a nós o Vosso reino: a legitimação da Corte Medieval através da imagem da Corte Celestial

Venho através desta postagem divulgar o artigo do qual fui co-autor, publicado na Revista Mirábilia.
Para a confecção desse artigo, contei com a colaboração do Prof. Dr. Jó Klanovicz, especialista em História Ambiental e professor da Universidade Federal de Santa Catarina e do futuro colaborador do blog, Rodrigo Prates de Andrade.
O tema do artigo trata da semelhança entre as cortes medievais com o ideal de cortes celestiais. Nele, tratamos a seguinte questão: a ideia praticamente imposta de vontade divina e semelhança das cortes medievais com a celestial seria uma ferramenta de legitimação, com o intúito da manutenção de uma ordem social vigente? Qual seria a relação entre os Reis e o clero nessa conexão do divino com o terreno?
Espero que aqueles que lerem este artigo o apreciem tanto quanto eu apreciei fazê-lo. Você pode fazer o download do artigo em formato PDF AQUI.
Obrigado. Críticas e comentários serão bem vindos.
24 de dezembro de 2009
Carlo Ginzburg - O queijo e os vermes
Esta resenha foi escrita por Juan Filipi GarcesGINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: O cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição: São Paulo, Companhia das letras, 2006.
A história começa no século XVI, retratando a vida de Domenico Scandella, conhecido como Menocchio, um moleiro que foi perseguido pela inquisição por ter uma visão diferente da sua época em relação à igreja. Ele é submetido a uma série de interrogatórios, e neles, vai apresentando suas idéias, e as obras que tomou como ponto de referência. Não levava a Bíblia como idéia universal, e isso contribuiu para os inquisidores o tratarem com um certo receio. O autor mostra diversos livros e artigos no qual Menocchio lera e teria tomado como referencia para suas idéias, embora afirmasse que elas vieram de sua própria cabeça.
Houve uma preocupação entre alguns moradores da aldeia onde morava sobre seu destino. Alertaram-no para não ficar mencionando as suas idéias abertamente, mas foi corajoso o suficiente para não se reprimir perante a inquisição, usando assim, diversos argumentos para defender suas idéias, e uma das principais, foi sobre seu pensamento sobre a singularidade cosmológica, cujo foi a partir daí que Ginzburg teve a idéia do título do livro, na qual afirmava: “No inicio tudo era um caos, isto é, terra, ar, água e fogo juntos, e de todo aquele volume em movimento se formou uma massa, do mesmo modo que o queijo é feito do leite, e do qual surge os vermes, e esses foram os anjos”.
Não menos pretensioso, afirmou que conversar com uma árvore era equivalente a se confessar com um padre. Conta também, alguns relatos de padres canibais que sacrificavam pessoas e comiam suas carnes, e se tivesse bom gosto, era uma pessoa livre de pecados, caso contrário, seria uma pessoa impura e deveria ter morrido antes.
A principal característica do autor nesta obra, é contar uma história em que normalmente muitos passariam despercebidos. Por escrever através da metodologia da micro-história, a principal característica do livro e contar a história de alguém ou algo que não teria uma grande importância na sociedade e sua determinada visão. Apresenta uma história descritiva, mas tendo grande preocupação com a literatura. Mostra uma pequena demonstração da cultura oral, que os camponeses normalmente utilizavam. Na época em que a história se passa, poucos tinham a sorte de saberem ler, então a forma de cultura oral era importante, mas com elas, seria difícil decifrar uma informação, ou se conseguisse, deixaria muitas pistas distorcidas. Por esse e outros motivos, Menocchio achava uma ofensa aos pobres as missas serem rezadas
Embora Menocchio fosse um moleiro, não teve medo de expor suas idéias e suas contradições, ao contrário de muitas pessoas da época, que não as colocavam por medo da inquisição, preferindo assim, aceitar os dogmas. Em caso de acusações pela inquisição, era preferido ser chamado de louco para não ser condenado por heresia; foi uma das propostas oferecidas para Menocchio, que corajosamente não aceitou. Num determinado trecho do livro, ele foi submetido a uma tortura, obrigando a confessar suas “heresias”. Uma grande análise pode ser feita em relação a essa tortura, mas vou deixar a surpresa para os leitores.
Podemos ainda perceber que Menocchio se interessava muito pelos assuntos religiosos, tanto que ele tomou como referencia a Bíblia e o Alcorão. Expôs uma teoria de que Jesus era apenas um homem comum, e não aquela figura espiritual que o cristianismo colocava. A cada afirmação, Menocchio se encaixava no caráter deísta, idéia que foi forte no iluminismo.
Em diversos países estava ocorrendo revoltas contra as instituições católicas, e a mesma estava com receio do avanço protestante, talvez acusar Menocchio de protestante seria algo proveitoso para a situação, pois mostraria como os protestantes eram hereges de acordo com a doutrina católica.
O queijo e os vermes é um livro que eu recomendo para todos que possuem certa admiração pela história, em especial a micro-história, pois seu autor, Carlo Ginzburg, é um dos pioneiros dessa visão histórica. É um livro que não pode faltar na estante de nenhum historiador.
Preço Médio: R$ 18.90
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Salve, leitor.