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4 de outubro de 2016

Apesar da reunificação, algumas divisões permanecem fortes na Alemanha

O artigo abaixo é uma tradução livre do original escrito por Rick Noack para o jornal The Washington Post. O artigo original pode ser lido aqui.

Por Rick Noack
A Alemanha celebrou 26 anos de sua reunificação, mas nem todos estão convencidos de que há muito a ser celebrado.
Em Dresden, a maior cidade da Alemanha Oriental, manifestantes chamavam a chanceler Angela Merkel e outros políticos de "traidores" e "Merkel tem que sair". Esses slogans se tornaram comuns na cidade, onde demonstrações anti-estrangeiros tem ocorrido toda segunda-feira por cerca de dois anos. Em um tweet, o governo regional da Saxônia condenou os slogans de segunda de manhã afirmando que as autoridades estavam "entristecidas e envergonhadas".

Apenas um punhado de pessoas atendeu à manifestação. Mas seus gritos colocaram os holofotes na contínua divisão na Alemanha. Muitos alemães orientais se sentem deixados para trás e excluídos da prosperidade econômica do lado ocidental. Mas alguns alemães ocidentais acusaram seus vizinhos do leste de reclamar sem fazer por merecer a mudança.


20 de setembro de 2016

A Revolução Farroupilha e o massacre dos Lanceiros Negros

O texto abaixo foi  escrito pelo jornalista Daniel Isaia e publicado originalmente no site Trendr. O texto original pode ser lido aqui.

Por Daniel Isaia

Foi no dia 20 de setembro de 1835 que as tropas farroupilhas comandadas pelo general Bento Gonçalves se rebelaram contra o Império do Brasil e proclamaram a independência da República Rio-Grandense. Deu-se início à mais longa guerra separatista da história do País.

A Revolução Farroupilha não foi uma revolta do povo gaúcho, mas dos grandes proprietários de terras — que estavam insatisfeitos com as leis federais e com a quantidade de impostos. Nos campos de batalha, no entanto, quem protagonizou a luta (em um primeiro momento) foram os mestiços, os índios e os brancos pobres.

18 de setembro de 2016

A escola dos Annales: glossário

Quando se iniciam os estudos sobre a História, especialmente no Ensino Superior, é comum que haja alguma confusão entre os iniciantes sobre os significados de certos conceitos, alguns dos quais permanecem ambíguos ou pouco claros mesmo para quem já tem alguns anos de estrada na área. Isto, reproduzimos aqui o glossário inserido no final do livro A escola dos Annales: a revolução francesa da historiografia 1929-1989, de Peter Burke, que pode ser de grande valia e responder à clássica pergunta “O que significa...” relacionada aos termos abaixo.

13 de setembro de 2016

Dez histórias de Narcos que ocorreram - e outras que não foram bem assim

O texto abaixo foi publicado originalmente no site da BBC Brasil. O texto original pode ser lido aqui.

Por Luiza Bandeira
Logo no primeiro episódio da primeira temporada, a série "Narcos", do Netflix, diz que o realismo mágico trata de coisas "muitos estranhas para ser verdade" – e que há um motivo para ele ter nascido na Colômbia.
De fato, é difícil acreditar em diversos acontecimentos da vida do traficante colombiano Pablo Escobar (interpretado por Wagner Moura) que são narrados na série, cuja produção executiva é de José Padilha (que também dirigiu dois episódios da primeira temporada), e cuja segunda temporada foi lançada no início de setembro.
Por ser uma pessoa que vivia na ilegalidade, Escobar é cercado de muitos mitos. É difícil dizer se alguns fatos realmente se passaram ou são apenas boatos.
A BBC Brasil ouviu especialistas para tentar desvendar o que realmente ocorreu e o que era ficção na primeira temporada.

9 de setembro de 2016

“El Don”: senhores e nobres na Idade Média



Por Rodrigo Prates de Andrade

Lançada no dia 02 de setembro de 2016, a segunda temporada de Narcos – seriado produzido pela Netflix – fora marcada pela derrocada de Pablo Emilio Escobar Gaviria um dos maiores drug lords da América Latina. Referido na séria muitas vezes como Don Pablo, o narcotraficante colombiano não fora o único a receber o pronome don – outro importante personagem da série fora Diego Fernando Murillo Bejarano, o Don Berna.

2 de agosto de 2016

O assassinato de Francisco Ferndinando: interpretações em aberto

O texto abaixo foi escrito por Amila Kasumovic, professora da Universidade de Sarajevo, e publicado no Brasil originalmente no site da Revista de História da Biblioteca Nacional em 2014, no aniversário de 100 anos do atentado a Francisco Ferdinando. O texto original pode ser lido aqui.

Por Amila Kasumovic

Dois tiros, e a Europa colocou-se em marcha irreversível rumo a um conflito generalizado, que se tornou a Primeira Guerra Mundial. Dois tiros disparados na cidade de Sarajevo, atual capital da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, em 28 de junho de 1914, deixou marcada uma região que já havia sido palco de milenares disputas territoriais, que depois seria socialista durante boa parte do século XX, e novamente assolada por uma guerra nos anos 1990.

Os fantasmas do passado continuam a assombrar Sarajevo. Tanto tempo depois, e mesmo com a abundância de textos produzidos sobre o tema, muitas questões permanecem em aberto. Como entender o movimento Jovem Bósnia, responsabilizado pelo crime? Qual o papel da Sérvia no atentado? Qual é a percepção atual sobre o jovem assassino Gavrilo Princip?

26 de julho de 2016

Extremismos, terrorismo e um problema para os historiadores

O presente texto foi escrito no calor da hora, diante das duas notícias citadas nos dois primeiros parágrafos deste. Talvez, pensando mais friamente sobre os pontos que levante, mude de ideia com o tempo. 

Por Icles Rodrigues

Postamos recentemente na página do Facebook do Leitura ObrigaHISTÓRIA um link de um evento terrível ocorrido em uma igreja francesa, onde um padre foi assassinado por dois terroristas que invadiram sua missa, atentado esse que foi assumido pelo Estado Islâmico. A comoção é justíssima, e a indignação das pessoas faz todo sentido. É curioso, inclusive, que a mesma imprensa que corriqueiramente é acusada de manipulação ideológica anti-islâmica é também acusada, em um momento como este, de ser relativista, "esquerdista", pró-muçulmana, entre outros adjetivos. 

A violência doméstica prospera na cultura do silêncio da China

O texto abaixo foi traduzido de um artigo do Washington Post. O original pode ser lido aqui.

Por Emily Rauhala

Dois meses depois de Li Hongxia ser assassinada, seu corpo não está enterrado. Ela encontra-se envolta em um edredom rosa em um caixão refrigerado, na casa que ela dividia com o marido. Ele é acusado de mata-la. Sua família, que vivia com eles, fugiu da cidade.

Os pais de Li não acreditam que haverá justiça para as vítimas de violência doméstica. Eles têm visto o sistema falhar para aqueles sem conexões: eles sabem que uma condenação pode requerer influência. Recusar-se a enterrar sua filha, que foi estrangulada, é uma tentativa de fazer as autoridades locais notarem, fazer alguém – qualquer um – se importar.

Na China, como em outros lugares, a violência doméstica é uma epidemia oculta – uma crise de saúde pública rechaçada como escândalo privado, um crime diminuído ou encoberto.

19 de julho de 2016

Vestidas para agradar: transformações na moda desde o Antigo Regime

O texto abaixo foi escrito por Eneida Queiroz para o site da Revista de História da Biblioteca Nacional. O original pode ser lido clicando aqui.

Por Eneida Queiroz
Mulher de espartilho vermelho, tela a óleo de
Adrien de Witte (s/d). O espartilho contribuiu
para a erotização do corpo feminino no começo
do século XIX. (Imagem: REPRODUÇÃO /
ORIGINAL DO MUSEU DE ARTE WALLON)

A luta pela “barriga negativa” e o aumento de cirurgias plásticas no Brasil e no mundo são novas versões de um antigo fenômeno: o sofrimento das mulheres para se manterem dentro dos padrões de beleza hegemônicos. Por mais que pareça anacrônico, o silicone de hoje e as anquinhas ou os espartilhos do século XIX unem-se em espantosa semelhança. O controle do corpo feminino é marca de sociedades patriarcais.

As estruturas rígidas e os enchimentos das roupas femininas na segunda metade dos oitocentos, momento de paroxismo da erotização do vestuário, têm origem em peças mais antigas. No Antigo Regime, o barroco e sua vertente mais rebuscada, o rococó, ainda ditavam moda nos trajes de baile da corte francesa, como os de Maria Antonieta (1755-1793). Vestidos com ancas laterais conhecidas como pannier – estruturas de barbatana de baleia ou galhos de vime – ampliavam as saias vários metros para cada lado. Antes deles, na nobreza espanhola do século XVII, as saias eram suportadas pelo farthingale, visível nas damas dos quadros de Velasquez (1599-1660). Como a Revolução Industrial ainda dava seus primeiros passos no século XVIII, a maior parte da população europeia e de suas colônias não usava essas roupas, pois não tinha acesso fácil e barato aos tecidos e às técnicas. Ademais, ainda havia proibição de uso de determinadas vestimentas: a estratificação da sociedade era visível também na moda.  

12 de julho de 2016

O terremoto de Lisboa de 1755

O texto abaixo foi publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional, cujo original pode ser lido aqui.

Por Mary Del Priore

Jacome Ratton costumava assistir à missa na igreja do Carmo, cujo teto ou dorso de animal correspondia à pesada abóbada de pedra. Mas em 1º de novembro de 1755, “na manhã desse dia fatal”, ele não foi. Aguardava um comprador para certa partida de papel avariado que ali se tinha posto a enxugar. Nas águas-furtadas de sua casa, viu da janela que “achava-se o céu risonho como quase sempre é nas felizes regiões da Europa do sul; nem o ar se agitava lentamente”. Não percebeu a agitação dos animais de tração, os cães em disparada pelas ruas, os ratos que deixavam suas tocas, os pássaros em louca revoada. “Três minutos, porém, antes das 10 horas ouviu-se um ruído como se corressem por elas numerosas carroças; ao mesmo tempo estremecia a terra com um movimento violento, ondulante. Estremece a terra e em menos de um minuto ela sorve o cais (da alfândega)... Na cidade levantavam enormes colunas de poeira ao pé das ruas que caíam das ruínas”. Era o início do terremoto que, em 40 minutos, devastaria a cidade de Lisboa.

5 de julho de 2016

Fotos soviéticas da Segunda Guerra Mundial agora coloridas

O material abaixo foi publicado originalmente no site russo Russia Beyond the Headlines. A matéria original pode ser lida clicando aqui.

Por Ksenia Isaeva

A artista russa Olga Shirnina (também conhecida como 'Klimbim') coloriu fotos de arquivo de militares soviéticos. Abaixo constam as fotos, publicadas originalmente no Russia Beyond the Headlines.

28 de junho de 2016

A mentira e o perigo da educação "neutra", sem política e sem partido

O texto abaixo foi publicado no UOL Educação e escrito por Guilherme Perez Cabral, advogado e professor, doutor em filosofia e Teoria Geral do Direito. O original pode ser lido aqui.

Por Guilherme Perez Cabral

Espalham por aí, trazidas por uma onda sabidamente perigosa, ideias absurdamente deseducativas que defendem a "neutralidade" política do professor e "denunciam" a tomada de partido nas escolas. Assusta a aceitação, sem parar para pensar, pelos desavisados, de falas tão superficiais e contraditórias. É preciso levá-las a sério, esclarecendo suas mentiras deslavadas. Elas não sobrevivem à crítica.

24 de junho de 2016

Consequências imediatas do "Brexit" e o nacionalismo


Por Icles Rodrigues

O texto de hoje no blog não pretende ser extenso ou revelador. Escrito no calor da hora por um simples historiador ainda assimilando as informações que recebe, não trará grandes contribuições ao que já se discute mundo afora. No entanto, creio que os leitores do Leitura ObrigaHISTÓRIA gostariam de ler algumas palavras a respeito do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia iniciado em 23 de junho de 2016.

O resultado do referendo, se tomarmos a votação em todo o Reino Unido, foi apertado: 51.9% dos eleitores (mais precisamente 17.410.742 votos) votaram a favor da saída, enquanto 48,1% dos eleitores (mais precisamente 16.141.241 votos) votaram a favor da permanência.  O gráfico a seguir mostra as porcentagens por região.

21 de junho de 2016

A pirataria de discos por chapas de raio-x nos anos 1950 na União Soviética

O texto abaixo foi escrito por Raphael Fernandes e foi publicado originalmente no site Contravenção. A matéria original pode ser lida aqui.


Por Raphael Fernandes

Se você fosse morador de algumas das Repúblicas da União Soviética, depois da 2ª Guerra Mundial, tinha que se contentar com a cultura imposta pelo governo comunista da época. Ou seja, nada daquela bobagem capitalista vinda do ocidente, como jazz, blues e o rock sob o risco de ir parar na cadeia.

Mas o amor de alguns jovens foi maior do que o medo de acabar em algum campo de trabalho forçado. Assim Elvis, Beatles, Louis Armstrong e muitos outros artistas encontraram o seu caminho para as ruas através de uma das idéias mais fascinantes da história da música: os discos gravados em chapas de Raios-X. 

14 de junho de 2016

A privatização do mundo, por Robert Kurz

O artigo abaixo, originalmente publicado em 2002, foi escrito pelo Filósofo alemão Robert Kurz. A tradução do original, de Luís Repa, foi publicada na Folha de São Paulo de 14/Jul/02.

Por Robert Kurz

É de supor que a natureza já existisse antes da economia moderna. Daí o fato de a natureza por si própria ser grátis, sem preço. Isso distingue os objetos naturais sem elaboração humana dos resultados da produção social, que já não representam a natureza "em si", mas a natureza transformada pela atividade humana. Esses "produtos", diferentemente dos objetos naturais puros, nunca foram de livre acesso; desde sempre estavam sujeitos, segundo determinados critérios, a um modo de distribuição socialmente organizado. Na modernidade, é a forma da produção de mercadorias que regula essa distribuição no modo do mercado, segundo os critérios de dinheiro, preço e procura (solvente). Mas é um problema antigo que a organização da sociedade tenda a obstruir também o livre acesso a um número crescente de recursos pré-humanos da natureza. Essa ocupação traz, das mais diversas formas, o mesmo nome que os produtos da atividade social, a chamada "propriedade". Ou seja, acontece um quiproquó: outrora livres, os objetos naturais não elaborados pelo ser humano são tratados exatamente como se fossem os resultados da forma de organização social, e daí submetidos às mesmas restrições. 

7 de junho de 2016

“Como o Cristianismo e o Islamismo tomaram o mundo em 90 segundos”? Não necessariamente.


O artigo abaixo é uma tradução livre de um artigo publicado em 15/04/2016 no site do Washington Post. O artigo original pode ser lido aqui.

Por Ishaan Tharoor

O vídeo abaixo apresenta o crescimento e a propagação das duas maiores religiões do mundo por um período de dois mil anos. Representados em branco e verde, respectivamente, o Cristianismo e o Islamismo brotaram da obscuridade no Oriente Médio para se transformarem em gigantes de alcance global. 

3 de junho de 2016

Sobre as comparações entre fascismos e comunismo

O texto abaixo é um trecho do livro "O século XX", de René Rémond. Veja um vídeo em nosso canal dissertando sobre o livro clicando aqui.

Por René Rémond

"Já fiz alusão à tendência manifestada por vários sociólogos norte-americanos de apresentar comunismo e fascismo como dois ramos do mesmo fenômeno, ao qual lhes apraz colar o rótulo de totalitarismo. E é verdade que não faltam analogias. Nos métodos de governo, entre o terror que Stalin desencadeia sobre a União Soviética e os processos policiais utilizados por Hitler, as semelhanças saltam aos olhos. O mesmo se observa nas estruturas, com a subordinação de todas as instituições legais regulares ao partido, um dos traços mais característicos desses regimes do século XX. Com os regimes fascistas de um lado e o comunismo de outro, já não existe independência nem imparcialidade do Estado. Este é conquistado pelo partido. Há, pois, analogias, mas elas permanecem exteriores; só dizem respeito aos comportamentos, aos processos, à morfologia dos regimes, mas não à sua natureza profunda.

1 de junho de 2016

Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil


O texto abaixo foi escrito por Michael Löwy, Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)/Paris e traduzido por Deni Alfaro Rubbo e Marcelo Netto Rodrigues. Originalmente, o texto foi publicado na edição n° 124 da revista Serviço Social & Sociedade, e pode ser lido aqui.


Por Michael Löwy

A extrema-direita na Europa

As eleições europeias na França confirmaram uma tendência que, há alguns anos, já estava aparente: o crescimento do apoio à Frente Nacional. Essa evolução não é especificamente francesa: por quase todo o continente europeu vemos o espetacular levante da extrema-direita. O fenômeno não encontra precedentes desde os anos 1930. Em muitos países, a direita xenófoba já havia obtido entre 10% e 20% dos votos durante a última década; em 2014, em três países (Reino Unido, Dinamarca, França) alcançaram de 25% a 30%. Além disso, sua influência é maior do que o seu próprio eleitorado: suas ideias contaminam também a direita "clássica" e até parte da esquerda social neoliberal. O caso francês é o mais sério deles, com o avanço da Frente Nacional excedendo até mesmo as previsões mais pessimistas. Como escreveu em um editorial recente o site Mediapart, "são cinco minutos para meia-noite".

25 de maio de 2016

Como a indústria da fotografia determinou que o ‘normal’ é a pele branca




O texto abaixo é uma reprodução de uma matéria do Jornal Nexo escrita por Juliana Domingos de Lima, e que pode ser lida originalmente aqui.

Pessoas de diferentes tons de pele nem sempre conseguiram sair bem em fotos. E a razão disso é relacionada à própria fabricação de câmeras e materiais utilizados para revelar as fotos: a tecnologia fotográfica, feita por pessoas brancas e voltada para pessoas brancas, passou décadas sem se preocupar como os tons de pele mais escuros eram retratados.

A questão foi explorada pela socióloga canadense Lorna Roth, que investigou a história da fotografia para mostrar como a tecnologia prejudicou a representação de pessoas cujo tom de pele não fosse claro. Lorna detalhou a pesquisa na décima edição da Revista Zum, publicação especializada em fotografia do Instituto Moreira Salles, lançada no sábado (9).

18 de maio de 2016

A Escola Austríaca refutou Marx?



O texto abaixo foi escrito pelo economista Arthur Abdala e foi postado originalmente no blog Raiz da Questão sob o título "A Escola Austríaca não refutou Marx! Entenda". O texto original pode ser lido aqui.

Por Arthur Abdala

Muito se fala por aí que a escola austríaca refutou Marx. O argumento é simples, Marx, em O Capital (1863), postulou a sua teoria econômica baseada no valor-trabalho, a mesma de Smith (1776) e Ricardo (1817), só que com algumas diferenças, entre elas está o trabalho social médio e o valor social da mercadoria. Para esses autores, de maneiras diferente, Valor = Trabalho, sendo que, para o marxismo, Valor = Trabalho social médio

Já a escola austríaca baseava a sua teoria de valor na utilidade marginal (Menger, 1871). Para entender melhor a teoria dos neoclássicos, imagine que você esteja com muita sede. O primeiro copo d’água que você tomar terá um valor muito alto. O segundo, com a mesma quantidade de trabalho do primeiro, terá um valor inferior. E assim sucessivamente, até chegarmos ao último copo, após toda sua sede ser saciada, que terá valor zero. Estando satisfeito, mesmo que o último copo seja muito barato, quase de graça, você tende a não comprar, afinal ela não lhe serve mais.

Traduzindo para um universo mais amplo, independentemente da quantidade de trabalho que tenha uma mercadoria, se ela não tiver utilidade para ninguém, seu valor será igual à zero. Ressaltando que valor é diferente de preço, pois sua conversão depende de outras variáveis.

Observando por esse ponto de vista, a teoria usada pela escola austríaca faz muito mais sentido. Ocorre que a dinâmica do capitalismo é muito mais complexa que isso. A partir daí vem a primeira questão que é de ordem econômica e sociológica, de onde vem a utilidade? Para os neoclássicos a utilidade é subjetiva, enquanto para os clássicos (Marx, Smith, Ricardo, entre outros) a noção de útil é objetiva. O texto tratará esse tema adiante.

Antes de entrar no mérito da teoria do valor, é preciso percorrer e revisar alguns itens da teoria marxista, pois precedem qualquer entendimento sobre a teoria do valor. As explicações a seguir foram elaboradas para serem mais didáticas possíveis.